METRÔ VILA MARIA: NASCE A ESPERANÇA

Associação Comercial de SP - Distrital Vila Maria - 10/Set/2008

Luz no fim do túnel. Se toda grande obra surge a partir de um sonho, a estação de metrô Vila Maria nasceu na reunião realizada na sede da distrital Vila Maria da Associação Comercial de SP. O engenheiro Jayme Domingo Filho, diretor da AEAMESP - Associação do Engenheiros e Arquitetos de Metrô, mostrou a todos os presentes que a linha Campo Belo - Vila Maria já existe nos projetos da companhia do Metrô. Serão 15 km de linha ligando a Zona Sul à Zona Norte, com 16 estações, sendo que a partir do centro elas serão: Praça das Bandeiras, São Bento, Mercado, Pari, Silva Telles, Catumbi e Vila Maria. Projeto funcional iniciando em 2010, início de obras em 2016, daqui a 8 anos, se tudo der certo, isto é, se a comunidade se mobilizar para fazer a linha sair do papel.

Engenheiro Jayme e público presente

Atualmente com 63 km de linhas metroviárias, São Paulo tem o metrô mais lotado do mundo (Estadão de 8/9/08), exatamente por ter uma rede pequena. Nova Iorque tem 479 km de linhas, e Londres 443. Santiago, cidade com metade da população, tem 21 km a mais de metrô. Segundo Jayme, apesar do desenvolvimento do estado de São Paulo até meados do século 20 ter se dado sobre a linha ferroviária, houve um afastamento desse padrão, e só agora, quando as grandes cidades ameaçam parar, se retorna a dar importância ao transporte sobre trilhos.

Apesar do alto investimento que recai sobre o Estado na construção de linhas de metrô (uma linha completa custa de 2 a 4 bilhões de reais), o retorno econômico é alto, com o aumento da arrecadação de IPTU com a valorização dos imóveis, redução de consumo de combustível, diminuição do risco de acidentes e despesas geradas pela poluição, ou seja, enorme ganho de qualidade de vida.

Na mesa do evento, além do palestrante, do superintendente da distrital Daniel Aguilar e de conselheiros, esteve presente João Ferreira da Mota, que é coordenador do Fórum Pro-Metrô Freguesia. Outros membros desse fórum compareceram, para incentivar a mobilização da comunidade da Vila Maria na luta por sua linha de metrô. É que a linha 6 - Freguesia do Ó-São Joaquim, só está saindo do papel devido à luta da comunidade. "Os políticos da região diziam que só sairia daqui a 30 anos...", contou um membro do movimento.

João Mota, do Fórum Pró Metro Freguesia, e 1º bilhete do metrô (14/9/1974), de José Correia

A AEAMESP é parceria do Fórum Pró Metrô Freguesia nessa luta. Composta de técnicos que trabalham com todas as áreas do metrô, a associação dá orientação técnica e apoio para que o Fórum trabalhe em bases consistentes. Porém o engenheiro Jayme alertou aos membros do Fórum Pró Metrô Freguesia, que eles devem permanecer mobilizados, até porque a linha 6 só está sua primeira etapa, que é a do Projeto Funcional (a prefeitura já mobilizou R$ 75 milhões para isso). Porém 7 outras etapas ainda terão que ser transpostas, até a inauguração da obra. A luta continua.

Daniel Aguilar, superintendente da Distrital Vila Maria, apresentou uma proposta feita há alguns anos, a da extensão da linha 4 (Vila Sônia - Luz) até a estação terminal Vila Sabrina, passando pela Vila Maria. A proposta seria que essa linha, além de servir à região da Vila Maria, que tem sérias dificuldades de acesso ao centro da cidade, recebesse na estação terminal Vila Sabrina, todos os 2000 ônibus que saem diariamente de Guarulhos para a capital, levando congestionamento até o terminal Armênia.

Mesa na distrital Vila Maria da Associação Comercial SP

O engenheiro Jayme lembrou que essa proposta esbarra em uma questão técnica: linhas muito longas têm problema de superlotação. Porém a proposta da comunidade deve ser levada em conta e analisada, para que estudos determinem a melhor proposta, o que pode inclusive alterar o projeto inicial do metrô.

Foi lançada a proposta de um Fórum Pró Metrô Vila Maria. Já estando a linha Campo Belo - Vila Maria nos planos do Metrô, ela só vai sair do papel, ainda que em 8 anos, com a pressão da comunidade.