ERAM 38, AGORA SÃO 30 PRÉDIOS EM TORNO DO PARQUE

Parque Vila Guilherme-Trote - 24/Mar/2009

A construtora Cyrela apresentou à avaliação da comunidade o novo projeto do Residencial Vila Guilherme, conjunto de 30 prédios proposto para o quarteirão do parque Vila Guilherme-Trote. Se aprovado ele ocupará o espaço do antigo Mart-Center, shopping de moda já desativado. Em função das primeiras críticas da comunidade, o projeto, que ocupava 100% da área permitida, com 34 torres de 19 andares, passou para 30 prédios, com alturas variadas.

Projeto atual, com prédios mais baixos próximos ao parque.

O arquiteto Paulo Bastos, conhecido por sua reputação urbanística, foi contratado pela construtora para readequar o projeto. Ele apresentou as diversas alterações efetuadas ao longo da discussão com o DPH (Departamento do Patrimônio Histórico), a fim de encontrar um equilíbrio entre viabilidade econômica e o aspecto ambiental/urbanístico. O atual projeto em análise propõe 30 prédios de 8 a 19 andares, 1260 apartamentos, mais de 5000 vagas na garagem (105 mil m2 de garagem no subsolo), e área permeável de 51 mil m2. Apesar desses números expressivos, o diretor da empreendedora, Jaime Flechtman, afirmou que se trata de um projeto "pequeno", se comparado a outros que lidam com áreas de mais de um milhão de metros quadrados.

Paulo Bastos mostra o projeto inicial. Walter Pires (DPH) fala ao público

A comunidade expressou enorme preocupação com o impacto no trânsito, com 5000 carros chegando, uma vez que as principais ruas de acesso, Chico Pontes e Maria Cândida, já estão saturadas. A Associação de Amigos do Parque Vila Guilherme-Trote (APVG), que tem vários membros no conselho gestor do parque, manifestou a necessidade do relatório de impacto de vizinhança, para saber o quanto o parque será afetado com as obras. Eles temem o rebaixamento do lençol freático, prejudicando as árvores, e o efeito da sombra das torres sobre o parque. A contaminação do solo também é uma preocupação. O diretor da Cyrela afirmou que se tem conhecimento de contaminação da área, e que existe tecnologia para reverter isso. Ele reiterou que a idéia não é agir como predador, e que a empresa tem compromissos com a qualidade e com toda a regulamentação ambiental que, conforme afirmou, hoje é muito rigorosa. Indagado sobre o valor da obra, e sobre qual percentual desse valor a empresa retornaria como compensação ambiental, o diretor afirmou que isso ainda não é possível de saber, pois não foi definido o mix (tamanhos e quantidades) de apartamentos . O terreno ainda não foi comprado pela empresa. Ela tem prioridade de compra, que exercerá quando se sentir segura, após as etapas de aprovação no DPH e prefeitura.

Comunidade presente à apresentação da construtora.

O diretor da Associação Comercial Distrital Vila Maria, Daniel Aguilar, lembrou que o empreendimento pode induzir o início das obras do grande corredor de ligação Vila Guilherme - Santana, através do eixo da r. São Quirino, diminuindo o efeito do trânsito. Compareceu à reunião o presidente do DPH, Walter Pires, evidenciando a importância da questão. Ele é um dos membros do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação), que está analisando o tombamento de todo o quarteirão. Esse processo tem foco prioritário no tombamento dos prédios que ficaram da antiga Sociedade Paulista de Trote, dentro do parque. Já a área envoltória pode sofrer restrições de uso ou não, dependendo da decisão do Conpresp.

A Associação de Amigos do Parque encaminhou ao Conpresp um manifesto com a sua posição sobre o empreendimento. Clique AQUI para ler esse manifesto.

Em uma metrópole como São Paulo, o grande desafio dos projetos imobiliários é alcançar a tão desejada "sustentabilidade", que é empreender preservando a qualidade de vida de todos os envolvidos, que são os novos moradores (compradores), os antigos moradores (comunidade), e a cidade como um todo. O ZNnaLinha vai acompanhar esse importante processo.