CARTA AO CONPRESP
Posição do Conselho gestor do Parque Vila Guilherme -TROTE ao CONPRESP frente ao empreendimento imobiliário da Cyrela para construção de mais de 30 torres no quarteirão do Parque
Prezados Senhores,
Como representante do Conselho Gestor do Parque Vila Guilherme - Trote e presidente da APVG, venho apresentar a esse Conselho, não só a posição dos freqüentadores do Parque, mas também da população de seu entorno, relativo à construção dos prédios na área em processo de tombamento, compreendendo o quarteirão do Parque. Ou seja: a área entre Nadir Dias de Figueiredo/ Chico Pontes/ São Quirino /Avenida Guilherme.
Entendemos que não basta olhar para o quarteirão como uma área de importância histórica para cidade, local que pertencia à antiga Sociedade Paulista do Trote - SPT. Precisamos entender, também, a importância do Parque, que ocupa mais da metade deste quarteirão, como uma área de importância ambiental para a região e de toda a cidade.
Portanto, a preservação de todo o quarteirão como Patrimônio Histórico será a única forma de preservar o Parque, que abriga as únicas edificações restantes desta história.
Preservar o Parque e o quarteirão é preservar a história!
Preservar apenas o Parque, permitindo a ocupação inapropriada de seu entorno, é sacrificar, não só a história de uma região, mas também o próprio Parque, ilha verde de importância fundamental numa região tão carente de qualidade ambiental como a Região Norte.
Passamos a apresentar os argumentos que embasam nossa posição:
1) A área a ser ocupada pelo empreendimento foi um aterro de inertes, contendo também, materiais orgânicos dispostos indevidamente e de maneira descontrolada. Cabe, portanto, um estudo de que tipo de material estaria depositado nesse terreno e quais os efeitos da exposição desses materiais ao ar livre;
2) O lençol freático da região é extremamente raso. Portanto, para a construção do empreendimento proposto seria necessário seu rebaixamento, podendo provocar danos irreparáveis a vegetação, pela ausência de irrigação. Consequentemente, condenando à morte as árvores e toda a vegetação do Parque e seu entorno;
3) Por conta da ausência de vegetação, componente primário na cadeia alimentar, a biodiversidade local também estaria condenada: aves, insetos e outros seres que dependem dos vegetais para se alimentarem estariam condenados à morte;
4) A redução de vegetação na Região Norte e, principalmente, na Vila Guilherme, elevaria ainda mais a temperatura local, trazendo agravos à saúde da população, em particular, afetando crianças e idosos;
5) Além da falta de água, a vegetação sofreria com a diminuição do período de insolação pelo sombreamento ocasionado pelas construções;
6) A ocupação humana, quer dizer, os moradores das 1260 unidades propostas, trariam um impacto para a região:
a. o aumento da circulação de carros provocariam aumento na produção dos gases de efeito estufa.
b. aumento do consumo de água e geração de esgoto.
c. aumento do consumo de energia elétrica.
d. aumento da geração de resíduos sólidos (lixo).
7) A circulação dos veículos, tanto dos moradores dos prédios, como dos prestadores de serviço, comprometeria ainda mais a malha viária já estrangulada;
8) Por último, mas não de menor importância, devemos lembrar que todas as espécies animais e vegetais que tem no parque o seu abrigo, sofreriam com o barulho e as mudanças trazidas durante e depois das construções.
Senhores, a importância de um parque urbano como área verde numa cidade como São Paulo e, principalmente numa região como Vila Guilherme / Vila Maria, carente de qualidade ambiental, é imenso. Todos os argumentos apresentados estão embasados em várias publicações de domínio público. Citamos, dentre elas, o Atlas Ambiental do Município de São Paulo.
Lembramos, também, que pelo atual Plano Diretor da Cidade de São Paulo, que a Vila Guilherme é um dos 12 dos 91 distritos da área urbana da cidade que já chegaram ao limite de verticalização.
Entendemos que o desenvolvimento urbano e a necessidade de construção de novas moradias são importantes. Porém, entendemos que esse desenvolvimento deve ser realizado com responsabilidade e posterior a estudos que impeçam os erros já cometidos anteriormente. Erros que condenaram nossa cidade a esse caos.
Por isso, somos favoráveis ao tombamento de todo quarteirão do Parque.
Somos responsáveis pela manutenção do Parque. Por um bem público!
Reivindicamos que qualquer estudo de impacto ambiental seja anterior às decisões favoráveis à empreendimentos imobiliários que possam, de alguma forma, intervir na rotina e manutenção do Parque Vila Guilherme - Trote e sua memória.
Antonio Roberto Freire (Beto)
Represente do Conselho Gestor do Parque Vila Guilherme - Trote
Presidente da APVG