Como um dia de domingo...

Jardim Leonor Mendes de Barros - 28/10/07

Se você olhar bem pra mim, nunca diria que me encontraria num campeonato de skate. Mas seus olhos podem te enganar. Todo ano dou uma passada em um campeonato que acontece na famosa ladeira “barriga da velha”, localizada nas Palmas do Tremembé. Agora você olha bem pra mim e pergunta: mas o que você foi fazer por lá? Reminiscências eu diria. Me admiro desta moçada num sol de lascar, sem nenhum conforto, olhando alguém, menino ou menina descer em manobras aquela ladeira.

Asfalto 40 graus. Desta vez fiquei pouco. Nem cumprimentei meus velhos amigos skativos. Bolota, Indião... Mas foi quando voltei pra casa que o skate tocou de verdade meu dia. Recebi no celular um telefonema. Era o Bolota chateado pois uma senhora da associação do bairro, havia vociferado diversas vezes contra o evento. Citando um vereador como força política, ameaçou processar a organização. Minutos antes me chamara a atenção o som baixo pra um evento deste porte. O publico pacífico aplaudindo candidamente os concorrentes. Quando fui eram meninas que competiam. Eventos sempre são incômodos e precisam ser planejados. O da “barriga da velha” tem autorização para acontecer e nunca invade a noite, é apenas diurno.

Conheço a senhora que reclamou. Bate meio que com a minha idade. E hoje me veio uma palavra à mente. Preconceito. Será que se fosse o Bruno e Marrone num arranca peão brabo, fazendo barulho, sujeira e povo pra todo o lado, será que ela reclamaria também? E uma marcha evangélica onde eles pensam que Deus é surdo e por isso precisam do som no último, além da falta de educação ambiental básica, que não é respeitada, será que ela reclamava também? Afirmo que não.

Preconceito. O skate sempre sofreu disso e não é agora que isso vai acabar. O skate representa de alguma forma uma liberdade incômoda. E isso até faz parte deste folclore. O que não é postura de uma Associação de Bairro é vir vociferar contra um evento, ameaçando ao invés de sentar com a organização e encontrar um termo adequado pro cidadão e para os adolescentes que querem o campeonato. Ter uma postura madura perante as coisas é saber sentar e negociar. E digo aqui nesta crônica um conselho pro Bolota. Seja você a parte madura nesta história. Sente e negocie, deixa que apenas ela aja como adolescente.


Elisa Puterman