TUCURUVI GANHA UM CURTA METRAGEM AO COMPLETAR 106 ANOS.

Auditório da subprefeitura Santana/ Tucuruvi - 24/Out/2009

Tucuruvi, ao contrário do Jaçanã, não teve uma semana de aniversário cheia de festas e eventos. Pelo contrário: seus 106 anos foram comemorados de forma singela, em apenas uma noite... que valeu por muitas: o bairro ganhou um documentário, que arrancou aplausos do público.

Casarão e cinema Valparaíso, em cenas do filme.

Se a lotação do auditório da subprefeitura é de 200 pessoas, então pelo menos 250 compareceram, pois muitas ficaram de pé para assistir à exibição do A Casa dos Ingleses, curta-metragem dirigido por Eduardo Duwe e produzido por Rogério Nunes. O filme, além de muitas imagens poéticas do presente e do passado do Tucuruvi e região, centrou atenção sobre o antigo casarão que existia na av. Tucuruvi, que era um ponto de referência para o bairro.

Entre os presentes na platéia, muitos "atores". É que o curta-metragem entrevistou diversos moradores antigos, e eles compareceram para ver o trabalho finalizado. Esse projeto foi um dos escolhidos pela prefeitura, que anualmente abre um concurso para apoiar financeiramente a produção de curtas-metragens (cerca de meia hora) sobre bairros paulistanos. O produtor Rogério Nunes, morador da região, já havia realizado, há cerca de dois anos, uma bela exposição sobre o trenzinho da Cantareira no SESC Santana.

Público presente.
Rogério Nunes, Amílcar Farina e Júlio Petrini,
da equipe de produção.

Quis o destino que a exibição do filme acontecesse na subprefeitura, exatamente no mesmo local onde ficava o casarão dos Ingleses. O documentário conta um pouco da história de Willian Harding, nascido em 1856, e que no começo do século 20 comprou fazendas na região, iniciando o seu loteamento. A Parada Inglesa tem esse nome porque os maquinistas do trenzinho, quando viam o inglês na beira da estrada, gritavam: "Pára pro inglês! Pára pro inglês!". E a "parada" do inglês virou a Parada Inglesa.

Harding construiu o belo casarão, onde um dia, já idoso, morreu de forma trágica. Mais tarde o casarão foi comprado por João Fidalgo, um pedreiro humilde que fez fortuna construindo casas e edifícios na região. Como o Tucuruvi não tinha atividades culturais, João Fidalgo patrocinava uma banda de música, que tocava em um balcão na lateral do casarão. Muitos entrevistados contavam que ali era local de encontros e oportunidade para as pessoas se enamorarem, como nas praças da matriz do interior. A "Banda do Fidalgo" teria patrocinado muitos namoros, e até casamentos.

Na década de 1960, da mesma maneira que o primeiro proprietário, João Fidalgo teria morrido de forma dramática, conforme narram entrevistados. O casarão então ficou fechado, aproveitado para gravações de filmes, até ser demolido. Um entrevistado considerou essa demolição "uma calamidade", pela forma como ocorreu, na base da marretada. "Podiam ter conservado o balcão da Banda do Fidalgo", disse outra moradora.

Com imagens delicadas e recursos técnicos que deram movimento a fotografias do passado, O Casarão dos Ingleses deixa um belo registro da história desse importante pedaço da Zona Norte, o Tucuruvi.

Minudências

@ Waldemar Davanzo e Pedro Maldi, ambos com 80 anos, lembravam antes do filme começar de um grave acidente do trenzinho na descida onde hoje está o metrô Tucuruvi. "Foi em 1944. Mais de 100 pessoas morreram. Não tinha ambulância, era caminhão e carroça levando os feridos".

@ Pedro Maldi é filho de Paulo Maldi, conhecido escultor que dá nome a uma rua na Parada Inglesa.

@ A av. Tucuruvi se chamava av. Pires do Rio; a av. Guapira era av. Santos Dumont; a av. Mazzei era av. Amazonas e as transversais tinham o nome dos afluentes do rio. Tudo isso foi lembrado pelo morador Waldemar Davanzo.

@ Um dos maiores cinemas de São Paulo, o cine Valparaíso, ficava exatamente onde hoje está o supermercado Carrefour, na av. Tucuruvi esquina com a av. Nova Cantareira.

@ O curta-metragem mostrou cenas de um filme que usou o casarão com set de filmagem.

@ O casal Itália e Werner Wana, ambos grandes conhecedores da ferrovias e trens, compareceu à apresentação.

@ O evento de aniversário foi aberto com a exibição da bateria e sambistas da Escola de Samba Unidos do Tucuruvi.

@ Foi sentida a ausência do subprefeito Hélio Rubens no evento de aniversário do Tucuruvi.