CAPELINHA DE SÃO SEBASTIÃO- CIDADANIA DERROTADA?

Texto do ambientalista Mauro Victor - Julho/2008

Aqui a memória viva de uma obra morta. O que estão fazendo com a memória de nossa cidade?

Aqui ficavam de pouso os bandeirantes que saiam da Vila de Piratininga na busca das pedras preciosas dos sertões das Geraes. O Caminho das Esmeraldas começava aqui.

Esta capelinha viu nascer as aldeias que dormem preguiçosas à sombra da muralha da Cantareira: Tremembé, Horto Florestal, Jaçanã, Vila Albertina, Junção, Corisco, Grotão da Cuca....Durante anos, os imigrantes, os filhos dos imigrantes, aqui celebraram a Vida: seus amores e desamores, sua devoção ao santo, suas festanças, as alvoradas. Índios, negros, mamelucos, cafuzos, todo mundo junto. A capelinha testemunhava o nascimento de uma nova raça.

Depois veio o progresso, o esquecimento, o abandono, o sumiço do sino e de outras peças sagradas. Obra dos caçadores de tesouros e obras sacras. Mas as paredes resistiam heroicamente, se recusavam a entregar os pontos.

Capela de São Sebastião
antes da demolição.

É então que a comunidade inicia um movimento para tombar a capelinha. Abaixo-assinados, vigília cívica com a presença dos bravos cadetes da Academia do Barro Branco, em seus uniformes de gala, seus pavilhões, seus galhardetes...Nossos arautos da imprensa cabocla mobilizando a resistência civil, A Tribuna Paulista, O Jornal da Serra da Cantareira, Tremembé na Linha, A Gazeta da Z.N. Os Leões do Lions e suas domadoras numa cruzada santa . Os ativistas da AMAR em pé de guerra. .

Tudo em vão. A picareta fala mais alto. A capelinha vem abaixo. Tombada literalmente...

Mestres responsáveis pela preservação de nosso patrimônio dão parecer antológico: Essa capela não é patrimônio digno de nota... Não tem estilo próprio nem aspecto monumental... Talvez tivessem razão, era apenas uma capelinha perdida na beira da estrada. Apenas uma cruz na encruzilhada. Para nós, os teimosos, os inconformados, os saudosistas, era mais, era muito mais, era o Caminho das Esmeraldas...era o solo sagrado e consagrado. Sangrado e sangrando...como o santo todinho flechado.


"Capela de São Sebastião" hoje.

No presente, nesta alvorada do século XXI, um alerta, uma lição a ter presente: Direito à cidadania é conquista, não é presente! O guardião destas ruínas: São Sebastião, o santo guerreiro. Morto duas vezes, flechado e a pauladas. Agora mais uma vez. O padroeiro a mostrar o caminho da luta pela preservação de nosso tesouro cultural.

Clique AQUI para ver reunião de 21/07/07, da comunidade com a diretoria do Bradesco. Já faz um ano, e nenhuma novidade sobre a prometida réplica da capela.