MEMÓRIAS DE DEZ ANOS DA F. GOL DE LETRA

R. Antônio Simplício 170, Vila Albertina - 20/Mai/2009

A Vila teve muita sorte quando, há 11 anos, Cristina Bellíssimo visitou uma escola estadual fechada e abandonada no alto do morro. Ao subir as ladeiras que levavam ao prédio, observou as crianças nas ruas, a carência social, e pensou consigo: "Vai ser aqui!". Estava nascendo a Fundação Gol de Letra na Vila Albertina, um sonho dos craques Raí Oliveira e Leonardo Araujo, de "dar a oportunidade aos jovens se desenvolverem, poderem virar bons chefes de família, bons profissionais", contou Raí.

Workshop em busca de lembranças do início da FGL.

Em Agosto de 1999 a FGL iniciou seu trabalho. Por ela já passaram cerca de 3.000 jovens, recebendo as mais diversas capacitações, focadas em cultura e cidadania. Para comemorar os 10 anos de atividade, a Fundação convidou o Museu da Pessoa para coordenar a produção de um material de memória desse período, cujo resultado deve ser a edição de um livro.

Para colher depoimentos do início da FGL, as coordenadoras desse levantamento, Márcia e Claudia, do Museu da Pessoa, conduziram um workshop de dia inteiro, com uma dinâmica voltada para extrair dos convidados as lembranças mais importantes. Beatriz Pantaleão, ex-mulher do Leonardo e diretora da FGL, recordou que Leonardo era mais prático e objetivo, e Raí, mais sonhador. "Foi um casamento que deu certo", brincou. Cristina, ex-mulher de Raí, lembrou das visitas que fez a vários imóveis oferecidos pelo governo do estado de São Paulo para a instalação da FGL. Poderia ter sido em Osasco, onde um grande terreno com bastante estrutura foi oferecido, mas "era para ser aqui na Vila Albertina", contou. Raí lembrou do envolvimento intenso das duas famílias no desenvolvimento da proposta.

Raí, Vanderlei (ex-aluno) e Beatriz, em um momento descontraído.

Sonia London, coordenadora do Museu da Pessoa, participou da primeira fase da FGL, e estava com Cristina durante a primeira visita ao imóvel, que estava abandonado. Foi ela quem agendou uma entrevista de Raí com a direção da Fundação Kellog´s, uma das primeiras apoiadoras da Fundação. Raí contou, em tom de brincadeira, que nem sabia bem como conversar com o diretor, nem como pedir alguma coisa, mas acabou dando certo. Apesar das duas famílias terem colocado uma grande soma financeira para o projeto decolar, hoje a captação de recursos é fundamental para a sobrevivência do projeto.

A comunidade compareceu a esse workshop, bem como antigos funcionários, que deram seu depoimento. Diego tinha oito anos, quando se aproximou da FGL, porque sua avó Esmeralda trabalhava na cozinha. Wanderley é outro jovem que hoje já está trabalhando, e trouxe lembranças da formação adquirida. Vários jovens da comunidade tiveram a oportunidade de ir à França, vivenciando culturas diferentes, através da FGL.

O projeto A Cara da Vila, primeiro grande projeto integrado da FGL com a comunidade, foi lembrado. Em 2001 aconteceu o primeiro Dia de Fazer a Diferença, em que uma enorme multidão compareceu para receber os serviços oferecidos na FGL. Também foi lembrado um workshop de fim de semana inteiro com executivos da Unilever, que vieram exercer cidadania na comunidade. Sóstenes de Oliveira, irmão de Raí, estava no começo, depois se ausentou por dois anos, e retornou em 2002, assumindo a superintendência da unidade Vila Albertina. Ele enfatiza o trabalho de equipe e a gestão da FGL, que é feita de forma participativa.

Comunidade da Vila no Dia de Fazer a Diferença (2001).

Como Leonardo e Beatriz são de Niterói, eles conduziram a abertura da unidade no Rio, que ficava naquela cidade. Hoje a unidade carioca está situada na cidade do Rio de Janeiro, no bairro do Caju. De lá vieram Felipe e César, para dar depoimentos. Felipe lembrou que o primeiro dia de atividades foi exatamente o dia 11 de Setembro de 2001, quando do ataque ás torres gêmeas em Nova Iorque, e isso ficou registrado na memória de todos. Foi lembrada uma fase muito difícil da FGL quando, em um curto espaço de tempo, houve a morte de jovem que tinha vínculos com a FGL, através de uma chacina, e pouco tempo depois, quando um jovem sofreu um acidente no vão do Masp e morreu, durante um passeio. Foi um momento difícil, em que a FGL ficou fechada por uma semana, e depois um extenso trabalho foi realizado com psicólogos da Unifesp, com as famílias e a própria equipe.

Muito mais foi contado pelos presentes ao workshop, mas fica para ser lido no livro que vai sair, comemorando a alegria da Vila Albertina pelos 10 anos de trabalho da Fundação Gol de Letra.

Fundação Gol de Letra
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