INTERNAUTA QUESTIONA "ARTE" NO LAGO DO HORTO
Horto Florestal - Março/2009
Uma instalação que complementa uma exposição no Horto Florestal está causando questionamento, pelo risco ambiental aos animais que vivem no parque, e também pelo risco de acúmulo de água para os mosquitos Aedes aegypti.
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Instalação no primeiro lago do Horto Florestal |
A internauta Gláucia Santiago questiona as "bacias presas por fios de nylon e tijolo colocadas no lago do Horto Florestal, e o impacto ambiental por oferecer perigo aos biguás, patos, marrecos, garças, tartarugas e capivaras que vivem no parque". Ela indaga: "Qual será o objetivo de uma instalação que não diz nada ao espectador, dentro de um parque localizado na maior floresta nativa urbana do mundo, nos dias de hoje?". E ela sugere: "É preciso realizações que gerem consciência ecológica, preservação e ações das pessoas e comunidades. Apenas protestar ou colocar objetos em um espaço, já não diz nada." E finaliza: "O planeta, a natureza, que o homem esqueceu que faz parte dela, precisa de ações que beneficie o meio ambiente e nossas vidas."
A menos de 500 metros do lago do Horto Florestal está a sede do Instituto Florestal, responsável por administrar mais de 60 parques no estado de São Paulo, entre eles o pioneiro deles, o Parque Estadual Alberto Loefgren, o conhecido Horto Florestal.
REPERCUSSÃO
Segundo a diretora do parque Ana Arromba, de fato um grande número de usuários se manifestou contrariamente à instalação artística no lago. Assim, foi dada a determinação de que as bacias fosse retiradas já na manhã do dia 25/3.
A PALAVRA DA ARTISTA
A Intervenção Escassez, no lago do Horto Florestal, faz parte do conjunto de obras que compõem a exposição e tem como objetivo principal conscientizar o maior número de pessoas sobre a água, seu uso e escassez. Venho trabalhando neste projeto há 8 meses, desde que surgiu o convite do Museu Octávio Vecchi para a realização desta exposição no dia 22 de março, dia mundial da água.
É impactante entrar no parque e se deparar com bacias flutuando no lago, foi desta forma que eu convidei os visitantes para uma reflexão sobre a água, porque o equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. A distribuição destas bacias no lago não foi impensada, ao longo da pesquisa consultei biólogos quanto a forma de apresentar esta intervenção, os animais que habitam o lago não serão afetados, pois as mesmas estão deslocadas e separadas, o material usado para ancorá-las são; nylon que é inerte e tijolo que é argila, portanto não causarão mal nenhum.
Quanto ao acúmulo eventual de água nestas bacias, possivelmente provenientes de chuvas (fato este que ainda não ocorreu desde domingo, 22 de março), medidas seriam tomadas para secar as mesmas, e evitar o desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti, que todos nós sabemos demora 7 dias para se desenvolver. Pois trata-se de uma intervenção por um tempo determinado e um projeto fundamentado.
Esta intervenção faz parte de um todo, um projeto pensado e bem planejado inclusive com agendamento de visitas de escolas públicas para um bate papo com a artista e curador, onde o tema água será discutido. Quero aproveitar para agradecer os inúmeros e-mails que tenho recebido elogiando e apoiando o projeto.
Veja também na seção BRONCA uma mensagem em defesa da exposição.
