AYRTON SENNA
A gente sentia que ele era mais nosso
do que dos outros brasileiros

No dia 21 de Março de 2010 Ayrton Senna completaria 50 anos... Completará, para muitos que consideram o piloto um imortal como os grandes escritores, os grandes atores, os grandes esportistas, que são inesquecíveis na memoria de seus admiradores.

Faz quase 16 anos que o Brasil perdeu um de seus maiores mitos esportivos. Se somos grandes campeões no futebol e no automobilismo, nosso maior atleta, ao lado de Pelé, nasceu na Zona Norte da capital, e aqui morou, em 4 endereços, em Santana e no Tremembé, até entrar na Fórmula 1.

"A gente sentia que ele era mais nosso do que dos outros brasileiros", disse a moradora do Tremembé Renata Franco, em entrevista ao Estadão, logo após o acidente. Foi uma frase feliz. Ela, como tantos outros moradores, o conhecia bem. Ele circulava na região. Ele era daqui. Ele era ZN forte!

PBF  

Ayrton Senna nasceu a 21/03/1960. Seu pai, Milton da Silva, tinha sido funcionário administrativo do Instituto Florestal, no Horto, antes de iniciar na bem sucedida carreira de empresário, dono da Univel, na Vila Albertina. Seu avô, Antônio Teodoro do Silva, havia trabalhado no Horto, como motorista (a ligação com carros vem de longe) do diretor do I.F.

Conta o livro "Ayrton - O Herói Revelado", de Ernesto Rodrigues, que até os 4 anos de idade o piloto morou na r. Aviador Gil Guilherme com a av. Santos Dumont, Santana. Naquela época devia ser muito tranqüilo. Hoje se trata de uma das avenidas mais movimentadas da região.

 
 

Dos 4 até os 12 anos, ainda segundo o livro de Rodrigues, Senna morou na r. Condessa Siciliano. Fomos até lá e está tudo confirmado: Dona Maria Rachas contou que morava em uma casa em frente, quando a família Senna mudou para lá. "Senna tinha dois anos quando mudou para cá", afirmou. (Dois ou quatro anos? Imprecisões históricas...) Ela lembra de Senna andando de bicicleta na pequena área em frente à garagem. Depois a família vendeu a casa para um alemão, que depois a vendeu para dona Maria, há quase 25 anos. Uma casa confortável, ao lado do tradicional mirante de Santana.

Luiz Kechichian, empresário da ZN, passou um abaixo-assinado propondo o nome "Estação Ayrton Senna - Jd. São Paulo", para a estação Jd. São Paulo do metrô. A Assembléia Legislativa aprovou, o governador Serra vetou, e a Assembléia derrubou o veto.  


Pré-adolescente, Senna mudou com a família para um sobrado menor, na r. Pedro, Tremembé. Talvez tenham trocado o tamanho da casa pela tranqüilidade de morar no pé da Serra da Cantareira. O livro "Ayrton Senna, o Eleito", de Daniel Piza, mostra a carteira escolar onde se lê: "Colégio Rio Branco, 1974, 8ª série 1, nº 7, rua Pedro 817, Tremembé, f. 298-4186". E basta ir a uma reunião do Rotary Club Tremembé para ter vários depoimentos: Claudia Castelhano, vizinha do piloto, lembra quando ele descia a r. Pedro testando o kart. "Ele ouvia o barulho do motor e depois levava o kart para a garagem, para ajustar", recorda. Elder Barros contou que uma vez acompanhou o piloto em uma corrida de 3 horas de kart em Interlagos. Corrida com revezamento de pilotos. "O que o outro ficava para trás, ele recuperava quando assumia o volante. O engraçado foi que numa das entradas nos boxes, ele entrou antes e acabou atropelando o pai dele, que estava sinalizando", recordou com bom humor Élder.

 

Não muito depois os negócios prosperaram, e a família mudou para um imóvel próximo, bem maior. A casa, afastada no centro do terreno, está até hoje na memória das centenas de pessoas que foram para o portão da av. Nova Cantareira comemorar a 1ª vitória de Senna em Interlagos, em 24/03/1991. Essa casa era vizinha de fundo com a casa de Cláudio Mosquetti, que tem um depoimento da humildade de Senna. "Um dia, já correndo na F1, ele parou o carro na banca de jornais da r. Conchília. Eu estava de moto, de capacete, e parei na esquina. Ele veio até mim e bateu nas minhas costas: "Fala Claudião!". Álvaro Marinelli Júnior é outro que reafirma essa condição do piloto: "Ele era muito, muito tímido. Mas era de uma humildade impressionante". Tendo se tornado um astro global, o Tremembé ficou distante para o trânsito diário da família, que mudou pouco depois para o bairro do Pacaembu.