RIO TIETÊ - A "PRAIA" QUE NÃO É, E QUE TALVEZ NÃO SEJA
Cruzamento da Ponte das Bandeiras com o rio Tietê - 22/Set/2010
Pessoas de shorts e biquínis, voluntários, canoístas, imprensa... só no Dia do Rio Tietê tanta gente chega à sua margem, para conferir se algo mudou, depois dos 17 anos de execução do Projeto Tietê, e um investimento de 1,6 bilhão de dólares.
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Um sonho: praia na beira do Tietê. |
O presidente da Sabesp chega de bicicleta. |
Em 2009 a "praia" foi montada no mesmo local. Mas durante 2010 a Marginal perdeu grandes trechos de área verde, devido à sua expansão. As fotos abaixo registram: a praia de 2009 tinha verde ao lado do rio. Em 2010 o verde desapareceu, substituído por mais faixas de rodagem para carros. Por uma coincidência irônica, no mesmo dia se tenta avançar com uma idéia importante para a qualidade de vida nas cidades, celebrando o Dia Mundial Sem Carro.
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Ironia urbana: o verde na "praia" da Marginal, em 2009 (à esquerda), desapareceu em 2010. |
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Gesner Oliveira, presidente da Sabesp, chegou de bicicleta à Ponte das Bandeiras. Com mais 5 ciclistas, pedalou por 13 km, de Pinheiros até a Marginal. "Faço parte do clube de ciclismo da empresa, que realiza um passeio mensal", afirmou. E acrescentou dois aspectos importantes desse gesto: "No Dia Mundial Sem Carro é preciso mostrar que existem alternativas de transporte limpo, que senão todos, muitas pessoas podem usar. E estamos aqui para reforçar o engajamento na parceria com o SOS Mata Atlântica, na luta pelo rio Tietê", afirmou Gesner.
O Projeto Tietê já consumiu US$ 1,6 bilhão em duas fases. A 1ª, construindo as grandes estações de tratamento, e a 2ª iniciando o transporte do esgoto até as estações. Carlos Eduardo Carrella, superintendente de Gestão de Projetos Especiais da Sabesp, informou que a Fase 3 vai custar US$ 1,050 bilhão, e pretende aumentar o tratamento de esgoto dos atuais 70%, para 84% do esgoto coletado. Carrela disse que uma das maiores dificuldades na limpeza do Tietê é que alguns municípios, como Mogi e Guarulhos, não são operados pela Sabesp, e estão muito atrasados com suas políticas de tratamento de água.
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Bote e draga com passageiros, em manifesto pela limpeza do Tietê. |
Mário Mantovani, diretor do SOS Mata Atlântica, afirmou que "nós não queremos nadar no Tietê e andar de barco, queremos diminuir as doenças que o rio gera". Malu Ribeiro, diretora do programa Rede das Águas, explicou melhor: "Os grandes vilões são os municípios. A sujeira começa em Mogi das Cruzes, com índice que caracterizamos de cor vermelha (ruim). Em Guarulhos é onde se encontra o pior índice, cor preta (o rio está morto), por que não tem tratamento". Ela complementa: "Quando a água entra em São Paulo ela é tratada e sai do péssimo para o ruim. A água é sem vida, mas com pouco odor. Agora podemos ficar próximos a margem sem usar máscaras".
Ter o Tietê como uma praia paulistana está bem distante dos sonhos "realistas". O presidente da Sabesp tem a mesma visão: "Não podemos ter ilusão de que o rio vai ficar limpo, mas vai se ver uma melhora progressiva, vai continuar a se ver uma diminuição da mancha de poluição, que já foi reduzida em 160 km", afirmou Gesner. O término da fase 3 está projetado para 2016. Uma região emblemática na Zona Norte é a do córrego Tremembé, cuja comunidade há anos luta pelo tratamento de esgoto da região. A promessa do coordenador de projetos da Sabesp, Rubens Russo, é que a obras aconteçam nessa fase 3.
Minudências
@ Dois botes do grupo Canoar saíram da Penha e remaram até a Ponte da Bandeiras, sendo recebidos com aplausos. Eles fizeram os 10km em 2 horas e 20 minutos.
@ Uma draga se movimentava por cerca de 300 metros, entre um porto e a ponte das Bandeiras. Quem quis, conseguiu navegar dentro do Tietê.
@ Marcelo Argona, membro do SOS Mata Atlântica, atua na região de Salto, e disse que, ainda que o rio ali, a cerca de 100 km de São Paulo, ainda tenha um "cheiro característico", se percebe uma melhoria sensível na qualidade da água, nos últimos 8 anos.
@ 32 voluntários da empresa DHL compareceram, para ajudar na produção do evento.
@ Ela. Em certos momentos a reportagem do programa Pânico da TV conseguiu atrair mais a atenção do que a causa do Tietê: uma componente da equipe, achando que poderia entrar na água do rio, usava um microbiquini. Clique AQUI para ver.
Parabéns pela cobertura!
Jnio Pires
Inicialmente quero cumprimentar o amigo Mario Mantovanni, presidente do SOS Mata Atlântica, pela iniciativa e o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira pela acolhida que deu à ZPB - Zeladoria do Planeta do Brasil no referido evento. Recebam os nossos cumprimentos. Cordialmente Jânio Pires Diretor da ZPB - Zeladoria do Planeta do Brasil
Valkiria Santos
Entra anoa sai ano e o Rio Tiête,continua sua agonia,onde outrora,houve pessôas que nadaram nele,meu pai foi um deles,pois na foto, ostentava uma camiseta regata com as iniciais T. Faz tempo que se fala de seus afluentes,que desembocam no Rio Tiête cuidarem do de seus esgotos,mas só fica nas palavras e no papel,infelismente,pois além de esgoto despejado in natura,muitos da população,não respeitam o meio em que vivem,jogando toda a espécie e lixo e infelismente o rio continua a sêr uma grande lata de lixo......
Gustavo Veronesi
Ótima matéria, parabéns. Precisamos ficar atentos a esses próximos passos para a despoluição do Tietê e veículos como o ZN na Linha são muito importantes no acompanhamento do processo. Gustavo Veronesi IPESA -Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais
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