PONTE DAS BANDEIRAS PEDE SOCORRO

Avenida Tiradentes - 17/Dez/2008

Considerada o portão de entrada da Zona Norte, a Ponte das Bandeiras está abandonada. A falta de cuidados e manutenção transformou este importante marco histórico da cidade em um local feio, triste e inacessível à população.

Descaso com a principal ligação Centro-Norte da cidade

Inaugurada na década de 1940, pelo então prefeito Prestes Maia, a Ponte das Bandeiras foi erguida para substituir a antiga Ponte Grande, feita de madeira e que ligava o núcleo urbano da cidade com a região Norte. Seu nome (das Bandeiras) é uma homenagem aos migrantes sertanistas de outrora, que participaram da construção desta cidade. Construída sob megaproporções, a ponte tem 120 metros de comprimento por 33 de largura. São 7 pistas, divididas em 2 sentidos. Duas torres com 50 metros de altura e mirantes no cume completam o conjunto.

No entanto, o que deveria ser mais um símbolo de orgulho para a população paulistana, transformou-se em sinônimo de abandono com o patrimônio público da cidade.

Sinais de abandono marcam todos os pontos do complexo

Administrado conjuntamente pelas subprefeituras Santana e Sé, o complexo das Bandeiras carece de uma restauração urgente e completa. São janelas e portas quebradas, buracos em toda extensão, infiltração generalizada e umidade, falta de acessibilidade, de iluminação e de segurança, além de ser utilizada com freqüência pelos moradores de rua. Nas portas das duas torres, enormes correntes com cadeados demonstram claramente a falta de interesse em democratizar o espaço pela administração pública. A torre sentido Norte é utilizada pela CET como observatório de trânsito. A torre sentido Centro permanece fechada.

Segundo a Companhia de Restauro, empresa contratada pela Prefeitura para restaurar o complexo, o projeto já foi aprovado pelo Ministério da Cultura, restando agora encontrar patrocinadores interessados em bancar a obra, estimada em cerca de R$ 3 milhões. Essa restauração consiste em reformar e adaptar o espaço mantendo suas características, já que a ponte passa por um processo de tombamento pelo Conpresp.

A iniciativa da restauração é da ONG Museu a Céu Aberto, que pretende transformar o local em um espaço aberto para a sociedade tratar de temas como a preservação do patrimônio cultural e ambiental de São Paulo. Entre as intervenções sugeridas pelo projeto de restauração, está a implantação de um elevador em uma das torres, o que daria acesso também aos portadores de necessidades especiais. Com o projeto definido, a expectativa da Companhia de Restauro é de que as obras levem cerca de 2 anos para serem concluídas. No entanto, como o projeto ainda não tem patrocinadores, a restauração da ponte permanece na gaveta.

Com 63 anos, a Ponte das Bandeiras pede socorro

SERIAM MESMO NECESSÁRIOS PATROCINADORES?

Segundo matéria do jornal Destak, publicada em 18/12: "Prefeitura só gasta 10% da verba para recuperar o Centro", a Prefeitura de São Paulo gastou apenas 10% do valor previsto no Orçamento deste ano para o Projeto Ação Centro (Procentro), em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que entre outros aspectos, prevê a recuperação de edifícios históricos. De acordo com o jornal, apenas neste ano, R$ 143,8 milhões viriam do BID e a prefeitura entraria com uma contrapartida de R$ 69,6 milhões. No entanto, desde que o acordo foi assinado em 2003, a prefeitura foi multada por não aplicar o dinheiro recebido no Procentro.

Texto: Fernando Figueiredo
Fotos: Cia de Restauro e Fernando Figueiredo