2º NIKKEI MATSURI PROMOVE A INTEGRAÇÃO ENTRE BRASIL E JAPÃO

Clube Escola Jardim São Paulo - 20 e 21/10/07

Artesanato, culinária, música e dança. Estes e outros elementos da cultura tradicional japonesa estavam presentes no 2º Nikkei Matsuri da zona norte. Organizada por associações culturais da região, a festa foi um preparativo para as comemorações do centenário da imigração japonesa, que será celebrado em Junho de 2008. No carnaval do mesmo ano, a Escola de Samba Unidos de Vila Maria terá o centenário como tema de seu samba-enredo.

O presidente da comissão organizadora do evento, Gerson Kuni, acredita que o tema da escola será mais um motivo para comemorar os cem anos da imigração e ajudará a difundir a cultura japonesa. “Esperamos prestar uma justa homenagem não somente à comunidade japonesa e seus antepassados, mas também à comunidade brasileira, que tem nos acolhido tão bem durante esses cem anos”, diz Kuni.

Durante o Nikkei Matsuri, a distância territorial entre Brasil e Japão foi ignorada, e a integração entre os dois países virou a atração principal do evento. Exemplo disso foi a apresentação da Unidos de Vila Maria, que pela primeira vez tocou em conjunto com os tambores de Okinawa, instrumentos típicos do Japão.

Tambores de Oknawa e a bateria da Unidos de Vila Maria promovem a integração entre as duas culturas.
Grupo se apresenta com instrumentos típicos do Japão

A mistura inusitada resultou em um samba diferente, com uma batida mais forte e um som oco. Apesar da mudança, para dançar a música ainda era preciso ter “samba no pé”; mas isso a passista da escola da samba tinha de sobra. A surpresa, no entanto, foi Aya Ohara, 35, que sambou animadamente ao lado da mulata. “Samba tem ritmo, é gostoso”, afirmou Ohara, que mostrou seu talento durante o festival.

A apresentação das dançarinas da Associação Tottori Kentin do Brasil também encurtou a distância entre Brasil e Japão. Após a exibição ao som de músicas que contavam algumas histórias de seu país, as dançarinas convidaram os visitantes para dançar e aprender parte da coreografia. Os brasileiros bem que tentaram, mas não conseguiram acompanhar os passos. As japonesas, entretanto, fizeram bonito e garantiram o sucesso do espetáculo.

Japonesa entra na dança e
samba junto com passista
Dançarinas da Associação
Tottori Kentin do Brasil

O vice-presidente da Moa do Brasil (responsável pela exposição de fotografias, pelo Ikebana e pela cerimônia do chá presentes no festejo) Benedito Tate, acredita que a integração entre os dois países é fundamental: “A cultura tradicional do Japão já está totalmente inserida na cultura brasileira, desde a alimentação até as chamadas terapias orientais, que agregam um aspecto positivo à vida do brasileiro”, afirmou Benedito.

TRADIÇÃO E CRIATIVIDADE

Pode-se conhecer muito da cultura oriental por meio de seu artesanato. Para produzi-lo, é preciso ter criatividade, paciência, organização e espiritualidade. No 2º Nikkei Matsuri, quem passou pelas barracas de artesanato encontrou objetos típicos com um toque de inovação

O tradicional origami (ou em português, dobradura de papel) transformou-se em bijuteria na mãos da japonesa Natália Miwa Itai. Com pequenas folhas impermeabilizadas, a artesã cria brincos a partir das dobraduras, e encanta as mulheres com sua arte inovadora.

Já a ceramista Elena Harumi Tateishi prefere manter a tradição: “Trabalhei com cerâmica há oito anos no Japão, [estou] no Brasil desde 2000. Trouxe a inspiração do meu país; a carpa traz prosperidade e o buda espiritual recebe e transmite energia”, diz Tateishi, explicando a escolha dos objetos.

Se depender do Nikkei Matsuri, as comemorações do centenário serão um sucesso, pois o festival japonês agradou os participantes. Thaís Rufino, 22, aprovou o evento: “Não tinha vindo ano passado, estou adorando”, disse Rufino, que estava acompanhada da família.

O centenário da imigração será festejado em Junho do próximo ano, no sambódromo do Anhembi.