A PARTIR DA ZN, O REPÓRTER AÉREO ESCANEIA O TRÂNSITO DA CIDADE
Aeroporto do Campo de Marte - Setembro/2009
No dia 1º/10/1989, há exatos 20 anos, Geraldo Nunes decolava do Campo de Marte para o seu primeiro vôo como repórter aéreo da rádio Eldorado. Desde então, outras milhares de vezes, ele usou a Zona Norte como trampolim para alcançar o céu paulistano, dando notícias do trânsito e de outros fatos de destaque na cidade.
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Geraldo Nunes e o piloto Anderson, ao pousar no Campo de Marte após vôo sobre a cidade. |
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"Quando se sobrevoa a cidade pela primeira vez, se tem a noção de como ela é grande", afirmou Geraldo. Ele ficou assustado. Olhava o mapa, e quando ia procurar a rua de novo, ela já tinha passado. Coisas de sobrevoar a cidade em um Robinson R-22, o "fusca" dos helicópteros, produzido na Califórnia, com apenas dois lugares. Ele teve que estudar muito a cidade, para conhecer de cabeça as ruas e avenidas. Acabou reforçando a paixão por São Paulo, e assim escreveu dois livros sobre essa cidade que tem mais de 300 mil ruas.
Um dos pioneiros no monitoramento do trânsito por helicóptero, Geraldo disse que no início enjoava um pouco, depois acostumou. Ele contou que usa uma bússola, e não GPS, para se orientar. "O ponteiro marca exatamente o Norte quando passamos pela rodovia dos Bandeirantes", afirmou. Geraldo lembra que houve a "febre" dos repórteres aéreos, e a Eldorado chegou a ter 3 helicópteros voando. "Hoje todo mundo está voando menos, existem novas formas de divulgação, uma delas é o ouvinte repórter", afirmou.
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Geraldo com o veículo da rádio, e uma foto área que bateu da Casa Verde. |
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Quando sobrevoar São Paulo virou quase uma rotina, Geraldo Nunes tomou um susto. No dia 1º/11/2005 o Robinson teve uma falha mecânica e o piloto teve que fazer um pouso forçado em plena Marginal do Pinheiros. Apesar do piloto ter controlado bem o pouso, a aeronave bateu com violência no chão e virou. Geraldo não se feriu, mas o susto foi tão grande que ele levou 10 dias para voltar a voar. Logo em seguida fez um curso teórico de vôo, e passou a acompanhar com mais detalhamento a parte técnica da nave e a forma de pilotagem. "Fiquei mais observador do procedimento dos pilotos", afirmou. Um Robinson R-22 não consegue enfrentar chuva, tem que contornar as intempéries. Por isso uma vez ele teve que fazer um pouso de emergência no heliponto do shopping Aricanduva.
O lugar que Geraldo mais gosta de olhar de cima é a região de Interlagos. "Dá pra ver direitinho porque o autódromo tem esse nome: está entre dois 'lagos', entre as represas Billings e Guarapiranga", observou. Na Zona Norte, gosta de ver a Vila Amélia, encravada na mata do Horto Florestal, e fica triste ao ver o desmatamento na região do Jardim Damasceno e de Taipas. Porém ele lembra que os pilotos de helicóptero não gostam de sobrevoar a serra da Cantareira, porque ela fica no "final de Guarulhos", onde passam os aviões. Eles só podem sobrevoar ali com autorização.
Paulistano do Ipiranga, 51 anos, sendo 31 como jornalista, Geraldo Nunes acredita que o trânsito de São Paulo tem jeito, mas sempre será problemático. "Cada vez mais as pessoas compram carro, isso tem que mudar, a longo prazo", afirmou. Ele defende a implantação de ciclovias, dentro de uma política de ampliação da oferta de opções de transporte.
Minudências
@ Por mais de 10 anos Geraldo Nunes produziu e apresentou o programa São Paulo de Todos os Tempos, contando histórias paulistanas na rádio Eldorado. Ele reproduziu esse material em dois livros, que têm o mesmo nome.
@ A região de Interlagos é sua preferida na cidade, "por toda a sua história". É a antiga praia de São Paulo, e tem a F1, "1º mundo em São Paulo". Na ZN, gosta de Santana, "tem tudo!", e da Casa Verde, "bairro sossegado, sem violência".
@ Um dos trabalhos mais marcantes foi durante o enterro de Ayrton Senna, em 1994, com dezenas de helicópteros sobrevoando a cidade ao mesmo tempo.
@ Geraldo Nunes teve paralisia infantil com um ano e meio. "Para mim é normal, já me acostumei com isso. Só tenho que acordar meia hora antes de levantar", brinca ao dizer, porque tem que colocar os aparelhos nas pernas.
@ Dono de uma voz inconfundível no rádio, diz que seu hobbie preferido é cantar.


