Veja AQUI o debate convocado pelo Movimento Nossa São Paulo sobre a obra na Marginal do Tietê
Começa a retirada das árvores para o projeto de expansão da Marginal Tietê
(Fonte: TV GLOBO - SPTV 1º EDIÇÃO - 20/06/2009 12:00 - Duração: 04m19s )
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MARGINAL TIETÊ
Texto de Eduardo Jorge
Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente
O Brasil tem acompanhado o embate entre presidente da república,
empreiteiras, ministros variados, ambientalistas etc, em torno do
licenciamento ambiental de grandes obras públicas no país. A delicada e
complexa relação entre desenvolvimento econômico e meio ambiente pede
soluções equilibradas. Uma questão técnica que na verdade se revela política
e até filosófica, na medida em que reflete o modelo de sociedade que
precisamos no século XXI. Assim, é interessante verificar como o estado e
a prefeitura de São Paulo têm conseguido se sair nestes impasses.
Neste momento inicia-se a reforma da marginal do Tietê e estamos no
processo de dois outros licenciamentos: o trecho leste do Rodoanel e
ligação do trecho sul do Rodoanel com as rodovias Ayrton Senna e Dutra, via
reformulação da Av. Jacu Pêssego na zona leste de São Paulo.
No caso da marginal do Tietê o licenciamento começou a tramitar na
Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo em
22/12/2008. Cumprindo todo o ritual da Lei, a Secretaria de Transportes
do Governo Estadual e a Secretaria de Obras Municipal passaram o projeto por
Audiências Públicas, consultas a vários órgãos municipais e estaduais,
votação no Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
(CADES) e nas Comissões Técnicas e Assessorias do CADES, conseguindo
primeiro a Licença Ambiental Prévia (LAP) em 20/03/2009, depois a Licença
Ambiental de Instalação (LAI) em 29/05/2009 e finalmente o Termo de
Compromisso Ambiental (TCA) em 03/06/2009. Vejam, estamos conseguindo
licenciar uma obra deste porte, cerca de 800 milhões de reais, numa
localização muito complexa, em 6 meses.
E ela não deixa de ter seu conteúdo polêmico, delicado e difícil, como nos
referíamos nos parágrafos iniciais, porque nossa posição é de crítica à
opção rodoviarista que foi feita pelo país no século passado dentro e fora
das cidades. Entretanto, também temos a consciência que uma mudança desta
opção exige uma vontade e articulação nacional e que é meta,
necessariamente, de longo prazo, envolvendo investimentos em mobilidade via
trilhos e pelas águas de grande alcance. No curto e médio prazos, medidas
ainda na lógica do antigo modelo devem ser tomadas para não inviabilizar a
mobilidade das cidades e do país, ao mesmo tempo que se investe em trem,
metrô, trólebus , corredores etc como vêm fazendo os governos estadual e
municipal de São Paulo.
No médio prazo teremos a implantação total do Rodoanel Mário Covas, já
concluído no seu trecho oeste, em conclusão no trecho sul (maior obra de
engenharia hoje no Brasil) e em licitação no trecho leste. O trecho norte
está em discussão para escolha do melhor traçado.
No curto prazo teremos a ligação que vai ser feita entre Mauá (final do
trecho sul do Rodoanel) com Guarulhos (para alcançar as rodovias Dutra e
Ayrton Senna) pela reforma e ampliação da Av. Jacu Pêssego, que será uma via
alternativa enquanto não se implanta o trecho leste do Rodoanel. Após esta
nova etapa concluída, a Av. Jacu Pêssego continuará sendo uma via com
vocação de base logística que impulsionará o desenvolvimento da zona leste,
permitindo que trabalho perto de casa seja oferecido à população daquela
parte da capital.
É neste mesmo horizonte de urgência que se inclui a reforma da Marginal do
Tietê, que será a via de ligação entre o final do trecho leste e o início do
trecho oeste do Rodoanel enquanto não tivermos o trecho norte construído,
uma obra problemática do ponto de vista ambiental.
Quais os principais impactos negativos de uma obra como esta? O aumento da
impermeabilização numa área já quase totalmente impermeabilizada ao longo da
atual Marginal e o corte de 559 árvores no entorno da via em um universo de
4.585 árvores existentes no local.
Quais são os principais impactos positivos? Com a melhora do fluxo do
trânsito, haverá diminuição da poluição com repercussões na saúde humana
local e com a melhor eficiência energética, haverá diminuição das emissões
de gases de efeito estufa causadores do aquecimento global. Teremos início
imediato da estrada parque e ciclovia do novo Parque Linear do Alto Tietê,
que irá da região de Ermelino Matarazzo até Salesópolis. Será o maior parque
linear urbano do mundo, que permitirá preservar e ampliar as áreas de
várzeas protegidas para combater as enchentes na região metropolitana
(grande ação de adaptação às mudanças climáticas) e reurbanizar toda uma
região muito empobrecida e com presença débil dos serviços estatais,
proporcionando opções culturais, ambientais, de lazer e econômicas que vão
permitir uma maior integração desta população. É um ganho ambiental muito
maior do que a perda de permeabilidade que vai acontecer ao longo da
Marginal.
Haverá ainda o plantio de 83 mil árvores no entorno da Marginal nas
subprefeituras vizinhas, contribuindo para reduzir as ilhas de calor e
melhorar os índices de umidade relativa do ar com repercussões positivas
para a saúde dos habitantes dos bairros e 4.900 na própria Marginal, que
dobrará assim sua própria cobertura arbórea. Mais 63 mil mudas serão
plantadas na região da Área de Proteção Ambiental do Tietê, no território da
cidade de São Paulo, entre outras programações previstas na Licença de
Instalação dada pela SVMA. São 6% em compensações ambientais em relação ao
valor da intervenção.
Como no caso de outra obra de grande porte, o trecho sul do Rodoanel na
capital, fomos bastante cautelosos em determinar a segurança ambiental a
ser exigida para que o balanço dos impactos negativos/positivos permita
aprovar a realização do projeto. No Rodoanel, a compensação acertada
foi exigência de quatro unidades de conservação e de uma estrada parque ao
longo da rodovia de até 300 metros de cada lado, criando um corredor
biológico entre os parques (15 milhões de m² de área protegida) . Nos dois
casos os governos estadual e municipal cumprirão rigorosamente as
compensações previstas pela licença expedida. E cabe à SVMA irá
fiscalizar de perto cada um dos compromissos ambientais.