CONFLITO À VISTA: CONSTRUÇÃO X VERDE

Pirituba - Fev/08

Entre a rodovia dos Bandeirantes e a av. Raimundo Pereira de Magalhães, região de Pirituba, sobrevive uma imensa mancha verde: cerca de 5 milhões m², área três vezes maior que o parque do Ibirapuera. Quem chega pelos trilhos da CPTM, entre as estações Pirituba e Vila Clarice, não deixa de perceber a monumentalidade da área, onde existem nascentes de água. É para esse oásis que a prefeitura apresentou no final de Janeiro o projeto de um grande centro de convenções, que deixaria o parque do Anhembi com complexo de inferioridade.

Proximidades da área proposta para o novo pólo.

Afirmou o presidente da SPTuris, Caio Luis de Carvalho, em matéria no Estadão, que não faltam recursos para executar o projeto, através de uma possível parceria público-privada, mas “o que faltava era o espaço”. Já o secretário de Habitação, Orlando de Almeida, afirmou que cerca de 1 milhão m² (cerca de 20% da área) não seriam usados na obra, pois fazem parte da área verde a ser preservada.

Carta publicada na seção “São Paulo Reclama” do Estadão de 28/2, questionou a transformação dessa área verde em uma mega-construção. A resposta da Secretaria Municipal de Turismo considerou que “apenas” 1,8 milhões m² (cerca de 40%) da área seriam usados no complexo, e que se a prefeitura não decidisse por esse uso, um megaprojeto imobiliário particular poderia erguer ali um condomínio de 5.000 casas. A acessibilidade ao local, afirmou, é facilitado pela proximidade das rodovias Anhanguera e Bandeirantes, e pela linha de trem da CPTM. Por fim, alegou a geração de empregos e oportunidades – já de olho na Copa do Mundo de 2014 – com a criação do novo pólo de eventos culturais e econômicos. Ele seria cerca de 12 vezes maior que o Anhembi

A questão é saber se realmente é mais vantajoso para a São Paulo a criação de um grande complexo de construções, com enorme demanda de tráfego e impermeabilização, em uma das poucas grandes áreas verdes que permanecem dentro da área da cidade.

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