PIRITUBA COMPLETA 125 ANOS

NELSON AMÉRICO DE GODOY
nelsondegodoy@hotmail.com
Sociólogo, jornalista e professor

A lei municipal nº 9978, de 18/10/1985, assinada pelo então prefeito Mario Covas, promulgou o projeto de lei nº 346 apresentado pelo vereador Almir Guimarães em 27/11/1984, que acolheu a proposta do pesquisador Nelson Américo de Godoy, para instituir, no Município de São Paulo, o DIA DE PIRITUBA, a ser comemorado anualmente no dia 1º de fevereiro, com o objetivo de realizar promoções alusivas à relevância e a tradição do distrito de Pirituba.

Localização e área

O distrito de Pirituba situa-se a Noroeste do município de São Paulo, ocupando uma área de 17,1 km2.
Constituído por 74 bairros, limita-se ao Norte com o distrito do Jaraguá; ao Sul, com a Lapa, tendo como divisor o Rio Tietê; a Leste com a Freguesia do Ó e Brasilândia e a Oeste com o São Domingos, conforme a divisão geográfica do Município de São Paulo, instituída pela Lei nº 11.220, de 20 de maio de 1992.
A variação altimetrica do distrito de Pirituba é bastante oscilante, pois o seu nível mais baixo é de 721 metros, enquanto o seu ponto mais alto é de 875 metros do nível do mar.

População

O distrito de Pirituba conta atualmente com uma população estimada de 164.748 habitantes, correspondendo a 1,5% da população do Município de São Paulo, ocupando cerca de 47 mil residências, de um total de 53 mil domicílios, representando 3,44 pessoas por habitação.

Pesquisador Nelson de Godoy e vereador Eliseu Gabriel.
Castelinho de Pirituba em 2007, antes da construção dos prédios em volta.

História

O território de Pirituba abrange, em sua maior parte, as áreas então ocupadas pelas Fazendas Anastácio e Jaraguá, além de pequenos sítios, que no início do século XIX despertaram o interesse dos pesquisadores estrangeiros, a exemplo do que relata o inglês John Maew, em "Viagem ao Interior do Brasil", editado em 1813 na Inglaterra e o missionário norte-americano Daniel Kidder, que permaneceu em nosso país durante 3 anos, e pode relatar sobre a vida e o trato nas fazendas de nossa região.

Destaca ele que o Coronel Anastácio de Freitas Trancoso cultivava além de cereais e café do qual exportava, também chá, mantendo em suas terras plantação superior a 25 mil pés, de todas as idades, de um a dez anos, que davam duas colheitas anuais. O Coronel Anastácio, que distinguiu-se pela sua bravura, serviu o Governo Provisório desde 1823 até a criação dos presidentes de Província em 1824, cultivava mandioca, algodão, banana e cana-de-açucar, além de vinho de fina qualidade. Daniel Kidder também destaca a amabilidade de dona Gertrudes Galvão de Moura Lacerda Jordão, viúva do Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, proprietário da Fazenda Jaraguá.

Mas na história de Pirituba, destacamos desde os seus primeiros tempos, figuras exponenciais, que impulsionaram o seu progresso. Muitas das quais, radicaram-se em Pirituba, e tornariam nomes de destaque na sociedade paulista. Além do Coronel Anastácio e do Brigadeiro Jordão, ressaltamos: Francisco Pinto do Rego Freitas, Antonio Pinto do Rego Freitas, Rafael Tobias de Aguiar e sua mulher Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, que adquiriram a Fazenda Anastácio em 9/10/1856, pela quantia de 15 contos de reis. Doutor Luiz Pereira Barreto comprou os seus primeiros terrenos em 1888, formando em Pirituba o sítio Santa Carolina, notabilizando-se pela sua grande coleção de vinha, com aproximadamente 400 variedades.

Outras personalidades históricas que acreditaram em Pirituba foram os irmãos Antonio e Victor Marques da Silva Ayrosa, Frederico Archer Upton, Alexandre Martin Wellington, Coronel Bento Bicudo e Antonio Fidelis, que com grandes esperanças iniciaram e desenvolveram suas atividades nesta terra promissora.

Mas foi com a inauguração da estação da então São Paulo Railway Company, em 1º/02/1885, que Pirituba se firmou com posição destacada, graças a todos que acreditaram no seu futuro. Além da agricultura, os empresários também deram crédito ao nosso território.

O primeiro a instalar a sua indústria em Pirituba foi Domenico Campestrin, juntamente com seu sócio Henrique Booch, com a Fábrica de Colla Paulista no final de 1898. O produto industrializado chegava a ser melhor do que o importado, e sua produção anual atingia 30 mil quilos, que era comercializado para as tipografias e marcenarias. Outro estabelecimento agrícola que projetou Pirituba foi a Orchidea Brasileira, de Joaquim da Silva Teixeira, que cultivava plantas para jardins, árvores frutíferas além de inúmeras espécies de orquídeas, que chegaram a ser exportadas para o Reino Unido.

Com o início das obras da Estrada São Paulo-Campinas, atual Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em agosto de 1916 e a venda da Fazenda Anastácio em 1917 para a Companhia Armour do Brasil, o nosso distrito destaca-se na Cidade de São Paulo.

Assim vieram para Pirituba, o Lanifício Pirituba, em 1927 e a Companhia Anglo Brasileira de Borracha, inaugurada em 1929.

Outro estabelecimento que divulgou o nome de Pirituba foi o Sanatório Pinel, inaugurado em 1929 pelo professor Antonio Carlos Pacheco e Silva. Naquela época, já haviam sido lançados inúmeros loteamentos, entre os quais destacamos a Vila Cachoeira, em 1915, a Vila Doutor Pereira Barreto e Vila Taiau, em 1922, Vila Palmeiras e Vila Bonilha em 1924, Vilas Barreto e Pirituba em 1927, assegurando o desenvolvimento populacional que hoje atinge 164.748 habitantes, distribuídos em aproximadamente 47 mil residências, construídas nos 17 quilômetros quadrados de área do território do distrito de Pirituba, que neste dia 1º de fevereiro de 2010, completa 125 anos de progresso e desenvolvimento.