FAVELA SOBRE CÓRREGO: O QUE PODE SER FEITO?

Vila Santa Maria - Fev/2008

A rua Criméia termina na esquina da rua Profa. Nícia de Paula. O que vem a seguir é um pequeno córrego sem nome, poluído e com muito lixo nas margens. O grande terreno particular à direita foi invadido há cerca de cinco anos e se transformou na “Favela dos Tubos”. “Favela ordeira, só mora gente de bem”, como disse o sr. João Rosa, que há 50 anos mora ali, de frente para essa situação, em uma casa regular.

Morador João Rosa, o córrego sem nome e a tubulação de esgoto

O sr. João lembra que antigamente a água “era limpinha, dava até para beber”. A nascente ficava a uns 300 metros, próximo à rua Alesso Baldovineti. Depois canalizaram o córrego, que virou a r. Criméia, até a esquina com a r. Profa. Nícia de Paula. Novos moradores chegaram, construíram suas casas, e o esgoto foi para o córrego, que segue a céu aberto, ao lado da Favela dos Tubos. A favela tem esse nome porque o proprietário do terreno comprou dezenas de grandes tubos de concreto para canalizar esse córrego. João Rosa conta que a prefeitura embargou a obra, e os tubos ficaram abandonados. Com a invasão do terreno, os tubos ficaram como estrutura de apoio dos barracos. “Não sei quantos tubos tem debaixo desses barracos”, diz João. É uma favela à moda antiga, com barracos de madeira. Cerca de 100 famílias ocupam essa área. O lixo dessa comunidade ficava jogado na rua. O sr. João contou que há pouco tempo construiu com outros moradores uma estrutura de madeira, para evitar que os cachorros esparramassem enorme quantidade de lixo, que tinha como destino certo o córrego.

Corredor da favela e encontro do córrego sem nome com o córrego Tabatinguera

Nos fundos da favela passa o Córrego Tabatinguera. Esse sim tem nome, e um pouco para frente, na esquina com a r. Prof. Dario Ribeiro, está passando por uma recuperação das margens. Muitos barracos foram retirados ali. Porém ficou esse trecho anterior, entre as ruas Profa. Nícia de Paula e Quartim Barbosa, Vila Santa Maria.

O que pode ser feito ali? Uma parceria do prefeitura com a SABESP, envolvendo a comunidade, para a desapropriação do terreno? O terreno poderia ser transformado em uma praça? Ou poderiam ser construídas ali habitações populares, com o devido saneamento e posterior limpeza dos dois córregos? O Tabatinguera e o “sem nome” começam ali perto, não é inviável a sua despoluição. Um amplo trabalho de educação ambiental poderia acontecer concomitantemente, aumentando a auto-estima dessas pessoas, através da conscientização participante. Utopia?