DESCASO COM ALDEIA INDÍGENA TEKOA PYAU

Estrada Turística do Jaraguá - 17/Out/2008

Descaso das autoridades, poluição das águas e dificuldades financeiras marcam a situação da aldeia indígena do Jaraguá. Localizada na Estrada Turística do Jaraguá, a aldeia guarani Tekoa Pyau enfrenta diversos problemas para continuar existindo. Entre as principais dificuldades vividas pelos índios, estão: a falta de demarcação de suas terras, provocando grandes prejuízos à população local, já que os impede de desenvolver atividades economicamente sustentáveis; o acúmulo de lixo e a poluição da única cachoeira da região; e a falta de sinalização na estrada, o que tem causado diversos acidentes.

Entrada da aldeia Tekoa Pyau
Indios Guaranis do Jaraguá

Instalada há mais de 10 anos em uma área de aproximadamente 1,5 hectare, a aldeia Tekoa Pyau abriga hoje cerca de 74 famílias. Só de crianças, são quase duzentas. A área onde fica a aldeia é de propriedade particular e atualmente reivindicada pelos donos. No entanto, os índios da região alegam que o local nunca havia sido utilizado e que, devido ao crescimento da sua população, parte da tribo teve que procurar um novo local para sobreviver, ocupando a área.

A falta de demarcação dessas terras é um dos principais problemas para sua população. Sem essa demarcação, que é feita pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio), a população indígena não tem o direito de desenvolver qualquer tipo de projeto, o que por fim acaba potencializando todas as suas dificuldades, principalmente as econômicas.

Outros problemas têm prejudicado a população da aldeia Tekoa Pyau, como a poluição da cachoeira que fica ao lado da aldeia, a falta de coleta de lixo pelos responsáveis que alegam tratar-se de uma área irregular e a falta de sinalização na estrada que divide as duas tribos da região. Essa ausência de sinalização na estrada tem sido motivo de vários protestos pela população indígena, que por diversas vezes acionaram as autoridades competentes (CET e Subprefeitura Pirituba/Jaraguá), que no entanto ainda não tomaram nenhuma providência.

Ponto crítico para travessia dos indios

No local onde os índios reivindicam a sinalização (faixa de pedestres, lombadas e farol), o piso da estrada é muito liso e fica próximo de uma curva, impossibilitando a visão do trajeto completo pelos motoristas e pelos pedestres. Segundo a população indígena do local, toda semana ocorrem acidentes nesse ponto da estrada: "Já faz muito tempo que existem acidentes aqui e ninguém faz nada", afirma David Fernandes, neto da cacique da aldeia, Jandira. "Esse ponto de travessia é muito utilizado por nossas crianças, porque temos duas escolas aqui", afirmou David, que entregou recentemente um documento à Subprefeitura Pirituba/Jaraguá pedindo a implantação urgente dessa sinalização, "se não resolverem, continuaremos protestando", disse.

David conta também que no dia 11 de Outubro, um índio de outra tribo que fazia uma visita à aldeia foi atropelado no local e perdeu uma das pernas, "primeiro ele foi atropelado por um carro que fugiu sem prestar socorro, depois um caminhão que vinha logo atrás não viu o rapaz caído na estrada e passou sobre sua perna", relata. A prova real do perigo que existe no local, veio minutos depois, quando um rapaz que pilotava uma motocicleta se chocou em dois veículos e ficou caído no meio da estrada. Machucado, o rapaz foi socorrido pelo motorista de um dos automóveis e pelos índios até a chegada do resgate. Felizmente dessa vez não houve conseqüências mais graves além do susto.

Acidente de motocicleta durante realização da matéria
Placa anuncia obra, mas falta sinalização

ORGANIZAÇÃO FARÁ SHOW PELA DEMARCAÇÃO

A organização mundial "Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência" está preparando um grande evento para coletar assinaturas pedindo a demarcação das terras indígenas. A organização está articulando diversos setores da sociedade para realizar um grande show em prol das causas indígenas. A idéia é chamar a atenção da imprensa e da comunidade sobre a situação irregular das terras em que vive o povo indígena e, em especial, da FUNAI, para liberar a documentação necessária para que os projetos já existentes possam ser aplicados.

Além disso, o movimento também pedirá a inauguração de uma feira de artesanato no local, que aconteceria todos os Domingos, pois muitas famílias sobrevivem apenas da venda de artesanato. Segundo Lucinéia Vieira, uma das organizadoras do evento, "é preciso nos unir para termos uma sociedade mais justa". Lucinéia, que participa do Movimento Humanista Internacional, realiza há quase dois anos um trabalho voluntário de Intercâmbio Tecnológico-Cultural Indígena e desde então, vêm fazendo denúncias e tentando ajudá-los de alguma forma. "Gosto muito dos índios, são como minha família", disse Lucinéia.

Texto e fotos: Fernando Figueiredo