ALDEIA GUARANI: DEPOIS DE 6 MESES, NADA RESOLVIDO

Estrada Turística do Jaraguá 3700 - 13/Abr/2009.

Já se passaram seis meses desde que o ZNnaLinha visitou a aldeia indígena Tekoa Pyau, situada na Estrada Turística do Jaraguá. Naquela ocasião podemos ver o descaso que ali ocorria, não só dentro como fora da aldeia. Mostramos vários problemas, entre eles o absurdo da água poluída na cachoeira que desembocava dentro da aldeia, e a falta de sinalização próxima ao local. Pensávamos que os problemas estariam resolvidos, ao menos em parte, mas nem isso. Ficou claro que mais uma vez a aldeia Tekoa Pyau e seus cerca de 300 moradores foram esquecidos.

Falta de sinalização e alta velocidade colocam comunidade em perigo

A falta de sinalização ainda ocorre. Autoridades responsáveis da região não deram um parecer e tudo ficou praticamente do mesmo jeito desde a nossa primeira denúncia. Em menos de um ano, três pessoas já foram atropeladas no local, entre elas duas crianças, e a outra vítima, um índio de outra aldeia que estava ali de visita. Nesse último acidente o motorista fugiu sem dar qualquer tipo de assistência.

O perigo ali é que índios frequentemente atravessam aquela via para a outra reserva que fica em frente. Mas como isso fica no meio de uma curva da estrada turística, o motorista não consegue ver se tem algum pedestre, e quem atravessa fica impossibilitado de ver algum veículo em sua direção.

O número de crianças na aldeia é grande, então fica uma preocupação ainda maior, já que elas não têm noção do perigo que passam enquanto atravessam a via. Por ficar próximo ao Pico do Jaraguá, à noite a visibilidade é precária, agravando ainda mais o problema, tanto para os motoristas quanto para os pedestres. A criação de duas lombadas próximas à entrada da aldeia e sinalizações de limite de velocidade orientando o motorista dee que ali existe uma aldeia indígena, são algumas soluções. A iluminação da área pode ser totalmente revisada e melhorada, ajudando não só os índios, mas também os motoristas que ali trafegam.

Contraste entre a modernidade e a rusticidade de uma aldeia indígena

Talvez o mais preocupante, segundo Lucinéia Vieira, voluntária de Intercâmbio Tecnológico-Cultural Indígena, sejam as construções de favelas perto da aldeia e uma obra da Sabesp dentro do parque do Jaraguá, que fizeram com que as águas de uma cachoeira dentro da aldeia ficassem totalmente impróprias para o consumo.

As crianças da aldeia, no calor, sempre entram para brincar na água, e com isso, contraem algum tipo de infecção, ou por beberem sem saber do risco, ou pelas feridas que ficam no corpo devido ao contato com a água poluída

Crianças fizeram um pedido à natureza pela recuperação da cachoeira.

O lugar realmente ficou esquecido, tanto na área de saneamento básico como de sinalizações. No caso da poluição das águas, a Sabesp visitou várias vesez o local, mas a demora é grande. Reuniões e mais reuniões são feitas, mas não se chega a um acordo. Consequentemente, pessoas sofrem com essa lentidão.

Como é possível que um local que há pouco mais de um ano e meio, onde crianças brincavam, mulheres usavam a água para cozinhar, tenha ficado da maneira que está e ninguém faz nada? Quantos outros acidentes devem acontecer para que sinalizações sejam postas nas áreas próximas à reserva? Deixamos essas perguntas no ar.

Texto e fotos: Frederico Sales Pino