TRIBO REINVINDICA POLÍTICAS PÚBLICAS
Estrada Turística do Jaraguá - 05/Ago/2008
Próximo de completar 10 anos, a aldeia guarani Tekoa Pyau (Aldeia Grande), que fica ao lado do Pico do Jaraguá, foi o palco do 2º encontro preparatório para reunir propostas dos povos indígenas que serão encaminhadas à VI Conferência Estadual de Direitos Humanos. O evento foi realizado dentro de uma oca, e contou com a presença de vários representantes da comunidade indígena de São Paulo, da sociedade civil e do poder público, representado pela Prefeitura e pela Funai (Fundação Nacional do Índio). A proposta da reunião foi identificar e organizar as principais necessidades dos povos indígenas, ouvindo-os.
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Aldeia Tekoa Pyau e cacique guarani Marco Tupã |
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A reunião foi pautada sobre 6 eixos principais: Universalizar direitos em um contexto de desigualdade; Violência, segurança pública e acesso à Justiça; Pacto federativo e responsabilidade dos três poderes, do Ministério Público e da Defensoria Pública; Educação e Cultura em direitos humanos; Interação democrática entre Estado e sociedade civil e Desenvolvimento e direitos humanos. Através de uma temática no mínimo diferente, com a formação de grupos misturados entre índios e não-índios, a reunião prosseguiu separadamente em salas do Centro de Educação e Cultura Indígena onde, ambientados, os grupos discutiram propostas e prioridades a serem encaminhadas para a Conferência dos Direitos Humanos.
Dentre as muitas propostas sugeridas, houve consenso em temas como: educação para as crianças e os adultos e demarcação de terras para áreas indígenas. Para o cacique guarani Marco Tupã, que veio da Aldeia Novo Temporã, em Parelheiros, a discussão sobre os movimentos indígenas tem muitas dificuldades, principalmente por parte do governo, "somos embasados por direitos na Constituição, mas na prática é bem diferente", afirmou. Ao final da reunião, as propostas foram entregues para um representante do Centro de Cultura Indígena, que irá encaminhá-las à Conferência Regional de Direitos Humanos do Município de São Paulo, marcada para os dias 15, 16 e 17/08..
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Centro de Cultura Indígena e a estudante alagoana Rose Kariri |
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Com uma população de 340 índios guaranis morando em casas construídas de pau-a-pique, a aldeia Tekoa Pyau padece de apoio sistemático do governo. A aldeia que fica em uma área de 1,5 hectare, encravada no pé do Pico do Jaraguá, ainda não é demarcada e nem reconhecida juridicamente de propriedade dos índios. Lá, os índios tentam aproveitar o espaço com uma pequena horta, alguns pés de fruta e de milho. Mudas são doadas pela prefeitura, mas não são suficientes. A comida também é fruto de doações e a ajuda para o sustento vem do artesanato, que por falta de recursos naturais, fazem com que os índios comprem as sementes, penas e miçangas. Índia alagoana de 30 anos, Rosi Kariri é estudante de Ciências Sociais pela PUC-SP. Para ela, que já passou por diversas tribos do Brasil, os índios vêm para as grandes cidades com a ilusão de encontrar uma situação melhor do que estavam, no entanto, quando chegam aqui se deparam com uma realidade extremamente difícil. Rita atribui esta situação ao fato de terem suas terras continuamente invadidas por grandes empresas, que muitas vezes, acabam escravizando seu povo, "queria saber o que estão fazendo com a minha terra", pergunta ela.
INCÊNDIO NA ALDEIA




