REURBANIZAÇÃO NA V. NILO RESTAURA A CIDADANIA

R. Gal. Jerônimo Furtado junto à rodovia Fernão Dias - V. Nilo - 14/Jun/08

Eram 10h do Sábado quando um grupo comandado pelo divertido casal Júlio e Ita, rei e rainha dos garis de São Paulo, andou pelas ruas do bairro cantando músicas como "Lixo no lixo, Vila Nilo no capricho" ou "Pegue o vassourão e varre o calçadão". O evento faz parte do projeto de reurbanização com trabalho de gestão compartilhada entre os moradores do local, a Secretaria Municipal de Habitação - SEHAB e a empresa Diagonal Urbana Consultoria. O projeto de reurbanização do bairro era uma antiga reivindicação dos moradores que viviam em barracos de madeira e ruas de terra que inundavam quando o córrego que cruza a vila transbordava. Hoje está canalizado. Os prejuízos ainda se somavam ao fato de grande parte dos moradores estarem desempregados, e sofrerem discriminação pelo fato de morarem em uma favela.

Casal Júlio e Ita, estimulando a educação ambiental na comunidade

As obras de reurbanização foram entregues em 09/2005, com a presença do prefeito Gilberto Kassab. As casas são sobrepostas (construções otimizadas em uma mesma área, fazendo com que os valores possam ser divididos por 3 ou 4 famílias). O bairro ganhou também um Centro de Convivência, onde são realizados encontros quinzenais com as crianças e semanais entre os moradores e as assistentes sociais, que promovem cursos educação ambiental e de capacitação para a geração de renda. Também existe um segundo Centro destinado à reciclagem de lixo, chamado de "15 amigos". O Centro dos "15 amigos" comercializa por mês cerca de 1,5 mil toneladas de material reciclável, e é formado por agentes ambientais locais. Antes do projeto de reurbanização havia no local 543 moradias, hoje reduzidas para 136 casas sobrepostas. Cada morador foi atendido por programas de assistência social, a partir de programas como o CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional) ou receberam a verba de atendimento habitacional oferecida pela Prefeitura. Com as obras entregues, os moradores têm de pagar R$ 64,90 por mês por um TPU (Termo de Permissão de Uso), além das contas de água e luz.

Evento transitando pelos conjuntos da Vila Nilo.

O evento faz parte do novo conceito de ressocialização, com projetos elaborados pelas assistentes sociais atuando em conjunto com os moradores que visam implantar soluções geradoras de renda para melhorar a qualidade de vida. "São pessoas com baixa escolaridade, que estavam desiludidas, e hoje conseguiram resgatar sua cidadania", afirma a assistente social Graça, uma das líderes do Centro de Convivência. Próximo a área reurbanizada, do outro lado do córrego, existe outra grande favela que não será beneficiada pelo programa de reurbanização, pois está sobre propriedade particular da CETESB (Companhia de Saneamento de São Paulo), que retomará sua posse em breve. O evento foi animado por diversas grupos de hiphop.

Vista de um trecho reurbanizado.

Toda essa área se integra à EMEF Frei Antônio Galvão e ao balneário municipal Irmãos Polillo, e pode ser um núcleo sócio-cultural interessante, podendo gerar uma melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDHM da região.


Texto e fotos de Fernando Figueiredo.