A CIDADE IMPERMEÁVEL
45 carros submersos em Santana, devido à impermeabilização da cidade - 03/Fev/2010
Caiu quase um tornado sobre Santana, às 17:30h. A água entrava pelos vãos das janelas dos prédios. Mas isso não era motivo suficiente para que a garagem de um dos prédios ficasse cheia de água até o teto, submergindo e dando perda total para cerca de 45 carros. O real motivo foi o enorme volume de água que desceu pela r. Dr Zuquim e outras encostas, se dirigindo para a parte mais baixa de Santana.
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Entrada da garagem cheia d'agua na rua Ezequiel
Freire. Pela manhã, carros
amontoados |
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Seguindo a lei da gravidade, a água corre para o ponto mais baixo. Não encontrando terra onde entrar, vai escorregando pelo cimento e asfalto, até chegar na várzea das avenidas Cruzeiro do Sul e Gal. Ataliba Leonel. Se pelo caminho elas encontram uma passagem, as águas entram, porque elas querem terra! E assim ficaram alagados os dois andares de garagem do condomínio Sabel Trade Center, na r. Ezequiel Freire 35.
Angela da Silva localizou seu carro na garagem apenas às 14h do dia seguinte, quando um cinegrafista da TV Record se aventurou a filmar no fundo da garagem, e localizou pela placa o veículo. O sr. Marino, inquilino do prédio, teve perda total em dois carros, um spacefox e um uno. "Parece que vai levar 60 dias para o seguro regularizar tudo", informou. Os carros boiaram, e quando a água baixou, ficaram uns sobre os outros. Durante todo o dia dezenas de guinchos trabalharam em frente ao prédio.
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Encosrta permeável, logo vira impermeável, pois obras
ja acontecem |
A chuva de 03/02 atingiu severamente a ZN. Na av. Eng. Caetano Álvares o córrego Mandaqui ficou a centímetros de transbordar. A foto acima mostra que a situação está longe de ser resolvida: um grande trecho de encosta, na r. Epaminondas Melo do Amaral, vai receber prédios residenciais. A foto foi batida da várzea, junto à Engenheiro. Isso significa mais impermeabilização das encostas. E por consequência mais água vai descer para o córrego Mandaqui.
Os ambientalistas falam da necessidade de que obras novas tenham grande área permeável, caixas de contenção de água de chuva, e outras providências para minorar o problema. Mas quantas obras realmente seguem esses princípios para evitar enchentes? Existe legislação para isso? Se existe, ela é cumprida?
E assim, a cidade se torna cada vez mais impermeável.
Caos urbano devido às enchentes - 08/Dez/2009
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências, as chuvas que castigaram a cidade desde a madrugada de hoje foram as mais intensas dos últimos dois anos. Apesar da relativa diminuição da chuva a partir do meio-dia, diversos pontos de alagamento permaneciam pela cidade. Às 16:30h a reportagem do ZNnaLinha encontrou a av. Zaki Narki, a partir da av. Cruzeiro do Sul, ainda interditada para a passagem de carros, sentido bairro.
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A marginal sem movimento devido à chuva, vista da Ponte do Limão. |
A Zona Norte, cujo limite Sul é a linha do rio Tietê, é uma das regiões mais afetadas pelas enchentes, uma vez que suas pontes iniciam em trechos com nível mais baixo do que o rio Tietê, e a água simplesmente empoça e não escoa, como no caso da av. Ordem e Progresso, que ficou interditada até o meio-dia.
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Av. Ordem e Progresso completamente alagada, em frente à subprefeitura. |
São Pedro não pode ser culpado por São Paulo afundar com uma chuva pouco acima do normal, e que deve acontecer diversas vezes até o final do Verão. Qualquer aprendiz de investigador consegue indicar ao menos dois outros culpados:
1 - A crescente impermeabilização da cidade, com o desaparecimento dos terrenos baldios, quintais e jardins das casas, e a ausência de coleta de água de chuva em novos empreendimentos. Toda água vai para os combalidos rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí
2 - A inexistência de uma política de gestão de lixo, de resíduos sólidos. O festival de resíduos flutuando no rio Tietê mostra o tamanho do problema, que se estende ao mais distante córrego paulistano.
Ao lado da mobilidade, a questão da drenagem da cidade se coloca como um grande desafio para a atual e para as próximas gestões administrativas. São duas bombas-relógio que a cidade precisa enfrentar.
Minudências
@ Enchentes como essa são uma oportunidade para o poder público, através de seus técnicos e pesquisadores, estudar a fundo o problema, e localizar as causas e possíveis soluções.
@ Contabilizar o prejuízo é outra forma de avaliar, o que inclui a saúde de pessoas presas no trânsito, nos ônibus. Um colaborador do ZNnaLinha se dirigiu à Farmácia Popular da r. Força Pública, e não pode comprar seu remédio: ela estava fechada "devido às enchentes".
@ Walter Abrahão Filho, subprefeito de Casa Verde/ Limão/ Cachoeirinha, viu a enchente chegar às portas da sua subprefeitura. Deu uma sugestão a ser analisada: a criação na cidade de centenas de micro-piscinões, em pontos escolhidos, para reter a água localmente.




