7ª AUDIÊNCIA SABESP DE SUSTENTABILIDADE

Auditório Eng. Tauzer Garcia Quinderé – Pinheiros - 27/Maio/2008

“Construções Sustentáveis”. Este foi o tema da 7ª Audiência de Sustentabilidade promovida pela SABESP. Quatro especialistas apresentaram seus estudos sobre essa questão emergente, em um momento em que as as ações empreendidas sobre o planeta se interferem mutuamente, e nenhum projeto pode ser levado adiante sem observação dos impactos inerentes. A coordenação do evento foi do assessor de meio-ambiente Marcelo Morgado. A seguir uma síntese da exposição dos convidados

Apresentação no auditório e no telão no hall do prédio central.

José Maurício da Fonseca Maia – Gerente de relações com o cliente da SABESP
    Maia trouxe informações sobre a situação da água no mundo. Em 2025 serão 1 bilhão de pessoas sem acesso a água potável. Vários países já têm ações efetivas para a economia de água. Na Inglaterra um grupo oficial que inclui empresas, órgãos públicos e a sociedade mantém um plano de uso eficiente de água, através de metas de consumo. O Brasil possui de 12 a 14% de toda a água doce do planeta, porém 70% dessas águas estão na Amazônia, enquanto apenas 1,6% da água está onde vive 22% da população do país, no Sudeste. A disponibilidade hídrica da região de São Paulo (bacia do Alto Tietê) é extremamente crítica, pois se situa muito abaixo do mínimo estipulado pela ONU. Maia apresentou os novos produtos usados cada vez mais frequentemente na construção civil, como chuveiros mais econômicos e redutores de consumo em torneiras, mictórios e descargas. Apresentou uma grande lista de prédios públicos em que uma ação efetiva da SABESP resultou em drástica diminuição de consumo. Anunciou também a criação de um convênio com a prefeitura de São Paulo, através do qual, entre outras medidas, está a nomeação de uma pessoa como “controlador” do consumo de água em cada uma das 500 escolas públicas da capital,

Profa. Dra. Roberta Kronka - FAU/USP
    A professora Roberta iniciou sua exposição com uma afirmação taxativa: não existe um edifício que seja sustentável, se o meio em que ele está não é sustentável. Por isso é fundamental avaliar da forma mais ampla o desempenho ambiental de um projeto de arquitetura. Ele deve levar em consideração muitas variáveis, em busca de um projeto que cause o menor impacto possível, se adequando às condições locais. Hoje muitos projetos de edifícios são divulgados como “sustentáveis”, às vezes apresentando mais atrativos cosméticos do que efetivamente ambientais. Não basta um edifício ter um estacionamento de bicicletas para ser sustentável. Questões térmicas, de iluminação, de circulação, de materiais, de acessibilidade, tudo deve ser equilibrado na equação de um projeto, para ter um ambiente com qualidade de vida. E isso deve ser antevisto na fase de projeto. Fica muito difícil fazer correções depois da obra pronta. A profa. Roberta apresentou diversos projetos que levam em consideração esses conceitos, que privilegiam as soluções locais, não só no aspecto ambiental, mas também no econômico e no social.

Profa. Dra. Vanessa Gomes da Silva - Arquitetura/ UNICAMP
    A profa. Vanessa tem doutorado pela Poli/USP, e apresentou uma série de levantamentos e estudos sobre a uso de materiais e a sustentabilidade alcançada por eles nas edificações. Diversos aspectos devem ser considerados para uma análise dessa sustentabilidade, que podem ou não tornar um produto “verde”, como as matérias primas, a forma de manufatura, a embalagem adotada, o transporte, as instalaçõesde conservação, o uso de energia e a vida útil esperada.

Dr. Manuel Martins – Fundação Vanzolini
    A Fundação Vanzolini é uma entidade certificadora na área de engenharia e construção. Em função da demanda por esse tipo de serviço, desenvolveu um processo de certificação de construções sustentáveis, adaptado por professores da USP de um método francês. Esse processo é o AQUA – Alta Qualidade Ambiental, que tem como desafio avaliar as ações de modo a preservar os recursos naturais, limitar a poluição e limitar os resíduos dos processos. A proposta é gerenciar os impactos externos, através da eco-construção e da eco-gestão, e criar espaços internos saudáveis, que geram conforto e saúde. Para isso uma série de pressupostos precisam ser cumpridos.

Mesa dos palestrantes para o debate.