3ª AUDIÊNCIA SABESP DE SUSTENTABILIDADE
Auditório Eng. Tauzer Garcia Quinderé – Pinheiros - 21/Jan/2008
As mais de 200 pessoas que compareceram a esta audiência tiveram uma grande aula de ecologia. Durante quase 3 horas foram apresentados os anseios e os esforços realizados por ONGs para recuperar ao menos uma parte da Mata Atlântica perdida. Hoje sobrevive apenas 7% dessa mata. Porém ela é imprescindível, em especial junto aos mananciais, às represas que fazem parte dos sistemas de abastecimento. Por isso o tema dessa audiência foi RECOMPOSIÇÃO FLORESTAL. Só recuperando as matas ciliares e a vegetação do entorno dos cursos d´água e das represas poderemos ter “qualidade e quantidade de água, a retenção de sólidos evitando assoreamento, permitir a recarga dos aquíferos e ainda auxiliar no processo de captura de carbono”, como afirmou na abertura do evento Marcelo Morgado, assessor de meio ambiente da SABESP, que conduziu a reunião, na ausência do presidente Gesner Oliveira.
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Vídeo com presidente Gesner e palestra dos parceiros. |
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Os técnicos da SABESP Sérgio Antônio da Silva e José Ferro expuseram o processo de criação do departamento de Recursos Hídricos Metropolitanos da empresa, cujo foco é tudo o que trate da quantidade e da qualidade da água na região metropolitana. A SABESP tem oito sistemas de captação de água na RMSP. Em todos eles existem projetos de recuperação das margens com vegetação. Foi citado o sistema Alto Cotia, cujo reservatório está bem protegido pela reserva florestal Morro Grande, e o sistema Rio Claro, que conta com a proteção do Parque Estadual da Serra do Mar. As atenções porém estão voltadas para o sistema Cantareira, que abastece mais de 9 milhões de pessoas, ou mais de 50% da população da GdeSP. É uma grande área, com centenas de quilômetros de margens, sendo que muitos desses terrenos são de propriedade particular, ensejando negociações com os proprietários.
O sistema Cantareira é formado por seus barragens: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Paiva Castro e Águas Claras. Este último já está no município de São Paulo, no alto da serra da Cantareira. Dali a água é lançada para estação Guaraú, para tratamento final. A SABESP conta com um grande viveiro de mudas no reservatório Jaguari, com produção de 200.000 mudas/ano, e outro viveiro na reserva de Morro Grande (Cotia), que produz 50.000 mudas/ano. A idéia é fazer parcerias com ONGs, prefeituras e proprietários nas áreas do entorno dos reservatórios, para recuperação das áreas degradadas ou desmatadas.
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Mesa com participantes da audiência. |
Algumas parcerias já estão em andamento ou em fase de conclusão, e os parceiros da SABESP compareceram para apresentar os projetos.
IPÊ – INSTITUTO DE PESQUISAS ECOLÓGICAS - www.ipe.org.br
Dentro do projeto “Nascentes Verdes – Rios Vivos”, o IPE se propõe a monitorar a biodiversidade, fomentar a educação ambiental e promover a restauração das matas. No entorno do reservatório Atibainha a meta é plantar 60.000 árvores em 35 hectares, envolvendo 12 proprietários rurais que tem terras limítrofes com o reservatório. Essa ação, segundo o diretor Eduardo Ditt, resgatará a cobertura vegetal. Essas florestas protegerão os recursos hídricos e evitarão o assoreamento, além de permitir o sequestro de carbono.
TERCEIRA VIA – www.terceiravia.org.br
A ação dessa OSCIP acontece em Joanópolis, cidade de 12.000 habitantes na divisa com MG. Nela se localiza a represa do Jaguari, que é a primeira “caixa d´água” do Sistema Cantareira. As margens dessa represa perderam 70% de sua cobertura vegetal nos últimos anos. A proposta da Terceira Via para recuperação da área é a criação do Parque Ambiental do Mangue Seco, de 40 hectares, sendo 38ha de propriedade da SABESP. Toda a área só tem 5% de cobertura vegetal. Giancarlo Bizaglia, diretor da entidade, afirmou que esse parque será destinado ao lazer, à preservação e à educação ambiental, com uma gestão compartilhada entre prefeitura, SABESP e a OSCIP.
TNC – THE NATURE CONSERVANCY - www.nature.org
Essa ONG foi fundada em 1951 nos EUA e está no Brasil desde 1988. Sua meta é ajudar a reverter a degradação da Mata Atlântica, que hoje tem apenas 7% de sua área original. Gilberto Tiepolo, engenheiro florestal da entidade, narrou o caso das bacias aquíferas de Nova Iorque. Ali se optou por recuperar as nascentes, em vez de se construir novas estações de tratamento. A proposta de longo prazo da TNC é restaurar 35.000 hectares de Mata Atlântica, com a proteção das matas ciliares e áreas de recarga de14.000 hectares das APPs. Acredita que 23.000 hectares na região do Sistema Cantareira sejam elegíveis para projetos de sequestro de carbono. Apresentou um projeto para o reservatório Cachoeira, cuja 1ª fase propõe restaurar 350 hectares em áreas da SABESP, em três anos.
SOS MATA ATLÂNTICA - www.rededasaguas.org.br
Essa entidade há 10 anos trabalha com a gestão de recursos hídricos, ocupando uma cadeira no Conselho Estadual de Recursos hídricos. Dentro do projeto Águas das Florestas, uma das etapas é a que está em curso na bacia do rio Piray, a Oeste da Serra do Japi, nas cidades de Cabreúva, Itu, Salto e Indaiatuba. Essa é uma região muito sensível, esquecida por estar em um “ponto cego” entre os comitês de bacia do Jundiaí-Juqueri e do Sorocaba. Com o apoio da Coca-Cola mundial, a proposta é reflorestar 3.000 hectares ao longo dessa bacia.


