2ª AUDIÊNCIA SABESP DE SUSTENTABILIDADE
Auditório Eng. Tauzer Garcia Quinderé – Pinheiros - 14/Dez/2007
Dando continuidade à sua postura pró-ativa em relação ao meio-ambiente, a SABESP realizou na sede de Pinheiros uma nova rodada de diálogo entre técnicos, ambientalistas e a comunidade. O tema desse encontro foi a reciclagem do óleo de fritura, usado nas cozinhas de todas as casas. ONGs que reciclam esse material relataram suas experiências. O auditório estava lotado para discutir o assunto. Leia abaixo uma síntese dos principais depoimentos.
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Técnicos da SABESP e de ONGs ambientais falaram sobre a reciclagem de óleo de fritura. |
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Gesner Oliveira – Presidente da SABESP.
Afirmou que a empresa está estimulando diferentes iniciativas em prol da sustentabilidade. A proteção do meio-ambiente não é um item a mais, mas a razão de ser da SABESP, por isso existe a meta de duplicar o investimento em saneamento no período de 2007-2010. Porém frisou que esse esforço pela sustentabilidade ambiental só será bem sucedido se houver o apoio da comunidade, com quem pretende ter um compromisso de ação conjunta em defesa do meio-ambiente.
Guilherme Machado Paixão – Engenheiro da Unidade Norte.
Apresentou através de imagens os impactos causados pelo óleo de fritura despejado na rede de esgotos da SABESP. Relacionou o grande número de desobstruções realizadas pelas equipes da empresa nas redes coletoras, obstruções causadas muitas vezes pelo excesso de gordura acumulado na rede. A empresa incentiva a instalação de caixas de gordura nas casas e no comércio, para que esses resíduo não seja despejado na rede. Mesmo assim, considera que a solução adequada para esse problema é reciclagem desse óleo.
André Lima Rodrigues – Técnico da ETE Parque Novo Mundo
Relacionou as grandes estação de tratamento de esgoto (ETEs) da SABESP na região metropolitana: Barueri, Parque Novo Mundo, São Miguel, ABC e Suzano. Nelas é feito o trabalho de retirada dos diversos óleos que vêm no esgoto, entre eles o óleo de fritura. Diversas técnicas são usadas para isso. André estimou que um litro de óleo de fritura despejado na natureza degrada cerca de 20.000 litros de água, o que justifica amplamente a ação de aumentar a reciclagem desse material.
Roberto Cortacoi – Diretor da ONG Trevo (www.trevo.org.br)
Relatou uma experiência de 28 anos na coleta de óleo domiciliar, chegando hoje a ter uma frota de 20 kombis para recolher o óleo pela cidade. São 300 toneladas/mês de óleo coletado. Tem parceria com a Ford, onde a cada 1000 litros coletados junto a funcionários, 400 litros de produtos de limpeza são destinados a uma entidade assistencial. Outra parceria de destaque é feita com a SAMORCC (vide abaixo) coletando o óleo de fritura da região dos Jardins.
Célia Marcondes – Presidente da SAMORCC (www.samorcc.org.br)
A Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira Cesar gera 104 emprego com a implantação da coleta seletiva de resíduos sólidos, que é uma atividade conduzida com responsabilidade pela entidade. Após pesquisa, fecharam com a ONG Trevo um contrato de coleta de óleo de fritura na região. O sucesso dessa experiência foi muito divulgado na mídia, gerando contatos em diversas regiões do Brasil e até na Índia, para replicação do projeto
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Público presente à II Audiência de Sustentabilidade. |
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Fabrício França – Diretor do Instituto Triângulo(www.triangulo.org.br)
Esse instituto tem sede em Santo André e tem como objetivo mobilizar a população para a prática de ações ecologicamente sustentáveis no ambiente urbano. Fabrício considera a prática de recolhimento e entrega de óleo de fritura como uma excelente oportunidade para a população exercitar uma postura de cidadania. As ações ambientais não devem ser pautadas pelo retorno financeiro que trarão a quem contribuiu, mas como uma prática de sustentabilidade ambiental. O óleo coletado é transformado em sabão ecológico em uma usina situada na própria entidade, que pretende criar em 2008 um Clube de Ação Socio-Ambiental, com direito a carteirinha e tudo, integrando os interessados em ações pró-ativas junto ao meio-ambiente.
Romi Hadad – Diretora da ONG Ecos do Vitória (www.ecosdovitoria.org.br)
Considerando o impacto que o óleo de fritura tem sobre a recuperação dos córregos, observou que o rio Tietê está doente, e que a sua cura pode começar pelos bairros, onde é preciso deter o processo de destruição ambiental do meio urbano. Propõe a criação de uma estrutura publica em cada bairro ou micro-região, que seja responsável pela organização sócio-ambiental. Acabar com o analfabetismo ambiental é uma das metas da ONG. A Ecos do Vitória presta consultoria técnica à cooperativa COOPERVITA, que atua na região no Parque Vitória, Tucuruvi, fazendo a coleta seletiva de resíduos sólidos e também de óleo de fritura em 3.300 residências. Esse óleo é encaminhado para a entidade KALPAS, que com o apoio da química Deuscélia Vasconcelos, produz sabão e sabonete ecológico. O sonho de Romi é ver um ecoponto em cada bairro, e neles um núcleo de saboaria artesanal, gerando 40 empregos para cada grupo de 15.000 pessoas atendidas. “E assim iremos curando a cidade, bairro a bairro, rio a rio”, afirmou.
A SABESP anunciou para Janeiro/2008 a terceira audiência de sustentabilidade, cujo tema será a recomposição florestal e a recuperação de mata ciliar. O ZNnaLinha divulgará a data desse evento.



