ETE Lavapés - São José dos Campos/SP - 30/Set/2008
Atenta ao fato de que a reciclagem de resíduos orgânicos recebe uma atenção muito menor do que outros resíduos passíveis de serem reciclados, a SABESP escolheu o tema "Compostagem de Resíduos Sólidos" para a 11ª Audiência de Sustentabilidade, a terceira a acontecer fora da capital. Essa audiência aconteceu em uma estrutura montada para o evento, na ETE Lavapés, uma das unidades de tratamento de esgotos da empresa na cidade de São José dos Campos. Essa ETE se diferencia por usar o sistema de oxigênio puro no tratamento do esgoto (vide abaixo uma síntese desse processo). A seguir um resumo das palestras.
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Público e espaço montado na ETE para a audiência. |
FERNANDO CARVALHO (Empresa COVEG)
A COVEG é a empresa contratada para gerenciar a compostagem na ETE Lavapés. O técnico Fernando lembrou que o lodo gerado pode ter 4 destinos: Deposição em aterros sanitários; incineraçao; reaproveitamento industrial (tijolos, cerâmica e cimento), e a compostagem para a agricultura (fertilizantes e insumo para recuperação de áreas degradadas). Em termos de custos, a transformação desse lodo por processo de compostagem chega a ser um terço do custo do processo anterior, já abandonado: R$ 385/Tonelada, na estabilização cálcica, e R$ 150/tonelada, na compostagem. Essa ETE iniciou atividade em 1998, e em 2006 iniciou a compostagem do lodo. Em 2008, após análises e exames, foi conseguido o registro no Min. da Agricultura, e o produto da compostagem já pode ser usado na agricultura. Fernando informou que a SABESP adotou a compostagem para reduzir a pressão sobre os aterros sanitários, e também para reduzir custos operacionais em até 45%. A compostagem é um processo biológico, a temperatura de 60º ou mais, realizada por microorganismos. Os benefícios da compostagem são: redução da atividade de vetores (estabilização do material putrescível), higienização, aumento do teor de sólidos no produto final (redução de volume), e produção de fertilizante orgânico. Devido às características da SABESP, cuja produção de lodo é ininterrupta, o produto da compostagem não pode ficar exposto às demandas do mercado, por isso ele não é vendido, mas distribuído gratuitamente aos interessados. A marca fantasia desse produto da compostagem é Sabesfértil, ideal para cultivo de rosas, cana-de-açucar, café, eucaliptos, frutíferas arbóreas, entre outros.
IVAN SORGHETTO (Van der Hoeven Estufas Agrícolas)
Ivan apresentou as características especiais das estufas utilizadas no processo de compostagem na ETE Lavapés.
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Palestrantes, tendo ao centro Marcelo Morgado, assessor de meio-ambiente da SABESP |
PROF. PAULO FORTES NETO (Universidade de Taubaté - UNITAU)
Uma outra forma de proceder à compostagem de resíduos orgânicos, é a utilização de minhocas. O prof. Paulo é um especialista nessa modalidade, a "Vermecompostagem", que pode ser usada em especial para lixo urbano. Ele lembrou que há 20 anos, quando iniciou esses estudos, era chamado de "maluco", e agora vê como esse tema começa a ser desenvolvido. Ele, de forma sintética, descreveu uma minhoca como uma "usina", que come o material orgânico em determinado estado, o transforma em seu interior, e depois defeca um material disponível. Ao se colocar mil minhocas por um metro quadrado, sobre um monte de resíduos orgânicos, elas vão comendo, vão defecando, e vão descendo até a base do monte. Quando termina o processo, se retira as minhocas do fundo, raspando a parte que estava por cima, e coloca-se as minhocas em outro canteiro. O prof. Paulo também falou sobre os aspectos técnicos, legais e ambientais do registro de composto agrícola.
KATIA GOLDSCHMIDT BELTRAME (Bioland)
A Bioland é uma empresa que faz a compostagem de mais de 80 tipos de resíduos industriais, comerciais e agrícolas, como refugos da indústria alimentícia e lodos industriais. Tem uma capacidade para tratar 5.000 toneladas/mês de resíduos, gerando 3.000 m3 de compostagem. Como diretora técnica da empresa, Kátia informou que a empresa precisa proteger o ar, o solo e a água usados no processo, por isso tem até uma ETE para tratar a água da chuva que cai sobre o terreno da empresa. Todo o processo de compostagem passa por 6 etapas: recebimento e homogenização do resíduos; compostagem ativa; cura (dois meses no mínimo de repouso); peneiramento; controle de qualidade e comercialização. Ao final a massa dos compostos se reduz em média em 45%. Kátia explicou que se cobra do gerador do resíduo para receber os materiais, mas um valor menor do que se pagaria para levar a aterros. Outras vantagens na compostagem para o gerador são: utilização em sistema de gestão ambiental (isso 14.000); como ferramenta de marketing; não há geração de resíduos ambientais; não há emissão de gases de efeito estufa.
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Lideranças da ZN foram ao evento, e cumprimentaram Gesner Oliveira, presidente da SABESP |
TRATAMENTO DE ESGOTO NA ETE LAVAPÉS
O técnico de saneamento Vimar apresentou ao ZNnaLinha todas as etapas do tratamento de esgoto dessa ETE, que é uma das mais modernas, pois utiliza o sistema de oxigênio puro, e faz a compostagem do lodo residual.
Chegam ininterruptamente 300 litros de esgoto/seg., passando por peneira grossa, depois por peneira fina, que tira até 1.300 kg de areia e resíduos/dia. Depois o esgoto recebe bombeamento de oxigênio puro, indo para quatro tanques de reação biológica, onde microorganismo atuam. Depois passa para dois enormes tanques decantadores, onde o lodo vai para o fundo do tanque, e a água já limpa é enviada para um córrego.
O lodo é retirado do fundo dos tanques decantadores, e segue para o tanque de lodo bruto. Lá o lodo recebe polímeros aglutinantes, e é colocado em uma máquina centrífuga, onde é retirado o líquido (esse líquido volta para o tratamento de esgoto). O lodo seco é despejado em um caminhão (são cheios 6 caminhões, ou 30m3/dia), e levado para as estufas onde inicia o processo de compostagem, gerenciado pela empresa Coveg.
VEJA no Álbum de Foto imagens das etapas.