CONQUISTA E DESAFIOS EM DEFESA DA SERRA DA CANTAREIRA
Sede da ALBEV - Alpes da Cantareira, Mairiporã - 04/Ago/2008
A Serra da Cantareira é um patrimônio universal, reconhecido pela UNESCO como o maior bioma urbano natural do mundo, fazendo parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo. A Zona Norte da capital tem se destacado no papel de guardiã dessa área vital, como demonstrou em Fev/2002, quando milhares de pessoas fecharam o trânsito na principal via do Tremembé, e abraçaram o lago do Horto Florestal, em protesto contra o trecho Norte do Rodoanel. Ao longo de 2003, com presença combativa em diversas audiências públicas, o movimento SOS Cantareira fez ver ao governo e aos empreendedores que o traçado proposto para o trecho Norte do Rodoanel impactaria funestamente a serra.
Porém aquela foi apenas uma batalha. A luta se faz a cada dia, e não apenas na "frente" paulistana: apenas 30% da Serra da Cantareira se distribuem por Guarulhos, Caieiras e São Paulo. 70% da Serra se localiza no município de Mairiporã. Assim, é importante uma ação conjunta, uma aproximação entre esses municípios, para resguardar esse patrimônio ambiental. Mais um capítulo nesse esforço se fez com a reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Serra da Cantareira, acontecida em 04/08, na sede da ALBEV, em Mairiporã.
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Major Olímpio e amigos da Serra presentes. |
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Entre tantos problemas que ameaçam a serra, um se destaca no momento: a criação de uma praça de pedágio no Km 66 da Rodovia Fernão Dias. Mário César Nascimento, do movimento Acorda Mairipa, relatou o impacto que essa localização do pedágio - entre o túnel da Mata Fria e a cidade de Mairiporã - trará à cidade e à serra: os motoristas fugirão do pedágio, entrando em Mairiporã e pegando a estrada da Roseira ou da Santa Inês, rumo São Paulo. A cidade, através da av. Tabelião Passarela, ou pela Rodovia Salomão Chamma, ao lado da represa do Juqueri, já não comporta o movimento atual, e muito menos suportará o novo fluxo advindo com o pedágio no km 66. Com ele vem: poluição sonora, poluição por gases, mais acidentes e atropelamentos de animais, risco de contaminação do sistema Cantareira, perda da capacidade de desenvolvimento turístico. A idéia é manter o projeto inicial da privatização da Fernão Dias, com a instalação da praça mais adiante, na divisa de Mairiporã com Atibaia. Mário César ainda apontou a falta de um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) da obra, e que já existe um abaixo assinado com 4.000 assinaturas contra essa situação.
O deputado estadual major Olímpio, membro da Frente Parlamentar em Defesa da Serra, afirmou não ser contra o pedágio, mas sim contra a localização no km 66 da Fernão Dias. Apontou as conquistas obtidas na luta pela preservação da serra, entre elas o início da instalação de sinalização que configura como "estrada-parque" a estrada da Roseira, o que deve melhorar as condições da pista, e também o apelo turístico para a região. Nelson Alambert, fiscal ambiental, criticou a falta de uma base da polícia ambiental no lado de Mairiporã, dificultando o trabalho de vigilância da área.
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Biólogo Moacir apresenta suas idéias aos presentes. |
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O biólogo Moacir Carnelós Filho apresentou uma análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO, que o governo estadual precisa apresentar obrigatoriamente, onde vislumbrou a oportunidade de encaixe de gastos com diversos itens que seriam benéficos para a Serra da Cantareira, como: casa de permacultura, com cursos de técnicas sustentáveis, como habitação integrada ao ambiente, agricultura orgânica, jardinagem e paisagismo, com oficinas de capacitação de profissionalização, orientação técnica, pesquisa e desenvolvimento; viveiro de mudas e escola de jardinagem, para capacitação e formação em jardinagem, produção e distribuição de mudas; cooperativa de apicultura, com cursos; centro de reabilitação de animais silvestres - CRAS; usina de reciclagem de lixo; RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural, com campanha de criação e implantação dessas reservas; recuperação de matas ciliares; monitoramento florestal, com sistemas autômatos remotos, baseados em sonoridade, que são mais eficazes; e casa de cultura, com oficinas de teatro, música, dança e etc.
- Veja AQUI outra cobertura de atividade da Frente Parlamentar em Defesa da Serra
- Leia no Jornal da Serra mais informações sobre a Serra da Cantareira



