15 DE OUTUBRO
Dia do Professor


O dia 15 de Outubro é a data em que o profissional da educação é finalmente lembrado. Para muitos, porém, não há o que comemorar. O motivo? Má remuneração, não se tem o devido reconhecimento, e para finalizar, trabalham com uma estrutura defasada. Agora, imagine dar aula em uma escola em que os estudantes são portadores de deficiência auditiva, visual, física e mental. Não deve ser fácil, mas existem pessoas que mesmo assim amam sua profissão.

Parte da equipe da EMEE Madre Lucie Bray

Na EMEE - Escola Municipal de Educação Excepcional Madre Lucie Bray, os coordenadores Rinaldo Leite e Cláudia Tumbert, e as professoras Andréia Zucarelli, Nilza Aparecida e Vilma de Souza, falaram das dificuldades que existem em coordenar uma escola direcionada a essas pessoas.

A Madre Lucie Bray, situada no bairro da Vila Constança, iniciou suas atividades em 1988. Em 2009, conta com 18 professores, 160 alunos de ensino fundamental I e II e médio. Para Cláudia, uma das grandes dificuldades de se realizar um trabalho como esse é justamente a comunicação, que cria uma barreira entre o professor e o aluno. Cláudia disse que se os pais tivessem uma relação mais próxima com os professores, muitos problemas poderiam ser solucionados. Ao lado da EMEE Tarcila do Amaral, situada na Cachoeirinha, essa escola é a única com esse atendimento especial. A coordenadora diz que alguns alunos moram em Guarulhos. Para os estudantes que não tem condições de se locomover até ao local, a escola disponibiliza uma van.

Em sala de aula, os professores afirmam que poderiam ter a ajuda de mais um profissional, isso porque não é fácil trabalhar em um ambiente com crianças e adolescentes com esse tipo de problema. A média é de 12 alunos por sala. Um fato curioso contado pelas professoras é que existe um preconceito entre os próprios estudantes, ou seja, o deficiente auditivo pode, de alguma maneira, discriminar um deficiente mental ou físico e, como sempre, entra a qualificação do professor para reverter esse tipo de situação.

EMEE Madre Lucei Bray

Na parte física da escola, não há muito o que reclamar, existe sala de informática, biblioteca e uma área de atendimento à educação especializada. Poderia existir uma maior acessibilidade para alguns alunos. Por exemplo, na escola existe um aluno cadeirante, com isso, sua sala de aula teve que ser transferida para o piso térreo, mas quando o aluno precisa ir usar a sala de informática, que fica no 1º andar, conta com a ajuda de colegas, que carregam a sua cadeira de rodas.

No dia da entrevista, estiveram presentes duas profissionais do CEFAI - Centro de Formação à Inclusão. São elas que visitam a escola para dar orientação aos professores e alunos. Quando perguntadas sobre o possível fechamento de escolas que cuidam desses alunos, elas afirmaram que há muito tempo já se ouve falar disso, mas nunca aconteceu.

Um dos professores afirmou que ser um profissional da educação, tem seu lado bom e seu lado ruim. O lado positivo é o serviço prestado, pois é sempre prazeroso trabalhar com pessoas, instruí-las, e ajudar no ingresso do mercado de trabalho. O lado negativo é que nada é tão simples, e muitas vezes o profissional, ao fazer reivindicações, precisa sair às ruas, fazer protesto, greves etc.

Texto e fotos: Frederico Sales Pino

Homenageando os professores, o prefeito Kassab veio à ZN, inspecionar a obra do CEI Indireto Vila Medeiros, no dia 15/10.

Clique AQUI para ler a matéria com a diretora da Diretoria Regional de Educação Jaçanã/Tremembé.