ENCONTRO DISCUTE PLANO MUNICIPAL DO CLIMA
Sindicato dos Engenheiros - 10/Nov/2008
Cidade onde 15 mil toneladas de lixo são produzidas diariamente e pouco mais de 1% é reciclado, ou onde 15 milhões de toneladas de gases de efeito estufa são lançados mensalmente na atmosfera, São Paulo figura hoje entre os principais protagonistas do aquecimento global. E foi pensando em deixar essa incomoda posição que o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, reuniu-se com a sociedade, em evento promovido pelo Movimento Nossa São Paulo, para discutir as principais ações propostas pelo Plano Municipal de Mudanças Climáticas.
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Secretário Eduardo Jorge e Oded Grajew |
Secretário apresenta o plano de mudanças climáticas |
O Projeto de Lei nº 530/2008, que institui o plano de autoria do Executivo, está em tramitação na Câmara Municipal desde Agosto/2008. Se for aprovado, São Paulo será a primeira cidade brasileira a ter um plano para lidar com as mudanças climáticas. Entre suas principais propostas, o plano traça como meta para 2012 a redução de 30% das emissões de gases-estufa, considerando padrões de 2005, quando foi realizado o último levantamento. De acordo com o secretário, "será necessário um esforço conjunto para cumprir estas metas", disse.
O projeto prevê várias medidas a serem cumpridas pelo poder público e pela iniciativa privada, como: a obrigatoriedade de coleta seletiva em condomínios e shoppings; a redução do uso de combustíveis fósseis em 10% por ano a partir de 2008; a inspeção veicular de motos a partir de 2009; a criação de novas ciclovias; a ampliação da oferta e o estímulo ao uso de transporte público; a recuperação e manutenção dos trólebus (ônibus movidos à eletricidade), entre outros.
Apesar de o plano sinalizar novas direções no tratamento das questões climáticas, a lentidão nas decisões e a falta de percepção do tamanho do problema poderão agravar ainda mais a situação atual. De acordo com o secretário, será preciso uma mudança de hábito das pessoas: "É muito importante uma mobilização mundial para essa questão", afirmou. Segundo Eduardo Jorge, o problema é tão grave que se comparado à crise econômica financeira, seria o mesmo que comparar as séries A e B do futebol. "Não tem como", ironiza o secretário.
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Público presente ao
evento |
Outra dificuldade encontrada na elaboração do plano foi à falta de diagnósticos precisos sobre as questões climáticas. No Brasil são apenas três inventários sobre Meio Ambiente, que mostram os principais danos causados à terra: um do governo Federal (1994); um da Prefeitura do Rio de Janeiro (1998), e o último da Prefeitura de São Paulo (2005).
Após a exposição inicial do secretário, houve espaço para manifestações do público. Representantes dos grupos de trabalho de Meio Ambiente e Mobilidade Urbana fizeram algumas propostas de mudança do projeto. Solicitaram ao secretário que sejam incluídas no projeto as centrais de triagem nos 96 distritos, o que permitirá a inclusão social dos catadores de material reciclável. Também foi sugerido incluir uma previsão de metas de controle de emissões para 2020, em 2010, quando for publicado o primeiro inventário sobre o plano, com o objetivo de avaliar e monitorar o que pode ser melhorado no programa.
ZONA NORTE NA PAUTA
Dentre as inúmeras propostas discutidas, a Zona Norte foi tema central na questão da explosão demográfica que vem ocorrendo nas regiões de preservação ambiental, como na Serra da Cantareira. Para o secretário Eduardo Jorge, este tipo de adensamento populacional causa grandes distorções na cidade. "É burrice crescer cerca de 6% nessas regiões. Assim tudo fica mais complicado", disse.


