OS OLHOS DO BRASIL NO FÓRUM SANTANA (QUE FICA NA CASA VERDE)
Av. Eng Caetano Álvares 594, Casa Verde - Março/2010
Por uma semana a atenção de todo o país se voltou para a av. Engenheiro Caetano Álvares e para o Fórum Regional Santana, onde aconteceu o mais rumoroso julgamento dos últimos anos. Isso trouxe uma movimentação diferente para a região, normalmente pacata, da Casa Verde, na divisa com o Limão.
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Manifestação do mineiro Santos. |
Sala de imprensa dentro do Fórum |
Desde a manhã do dia 22/03 pessoas comovidas com o caso Isabela Nardoni compareceram à porta do Fórum Regional de Santana para expressar sua opinião através de manifestações pacíficas, com faixas, cartazes e até uma cruz, simbolizando paz. André Luis dos Santos, empresário de 49 anos, chegou no dia 20 de Ponte Nova, MG, para acompanhar o julgamento. Santos acampou em frente ao fórum com uma cruz de madeira. Ao ouvir o depoimento do pai do réu, o advogado Antonio Nardoni, Santos disse que estava perplexo com o deboche do avô ao ouvir o relatório da perícia. "Ele se esqueceu que é avô, ele nem parece estar triste pela morte da neta, fazendo piadinhas sobre vegetais e legumes quando a perícia mencionou sangue", afirmou.
Nos bastidores o clima junto à imprensa era tenso, com jornalistas se revezando para assistir os depoimentos. Até uma sala de imprensa foi montada. A chuva de 5ª e 6ª-f não esfriou o ânimo de quem estava na fila para entrar. Cerca de 60 pessoas se abrigaram na parte coberta do fórum nos dois dias, e algumas ainda esperaram do lado de fora dos portões com guarda-chuvas.
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Muita gente na frente do Fórum durante cinco dias. |
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O tráfego na av. Eng. Caetano Álvares com av. Casa Verde fluiu normalmente. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) fez um revezamento de 3 turnos, com 5 pessoas em cada turno. Um funcionário da CET alterava o tempo do semáforo, deixando o verde para a av. Eng. Caetano Álvares aberto mais tempo, para evitar o tumulto de motoristas curiosos.
A multidão era composta também por estudantes de Jornalismo, Fotografia e Direito. Fernando Biral, formado em Direito, ficou muito tempo na fila para assistir o julgamento. "Estou aqui porque esse caso tem muita repercussão, espero aprender um pouco com isso" disse Biral. A venezuelana Maria Souza, 36 anos, chegou 2ª-f para se manifestar. "Esse é um caso que não tem repercussão só no Brasil, ele tem no mundo", disse a venezuelana. "Tenho um filho que esta no Brasil na mesma situação, a madrasta tem ciúmes e agride meu filho", finalizou Maria.
Houve também quem protestasse a favor dos réus. Um senhor de aproximadamente 40 anos, começou a protestar do lado de fora do fórum. A multidão revoltada tentou primeiramente agredir com palavras e gestos, e após a imprensa o cercar, os manifestantes que pediam a condenação da casal em julgamento começaram a empurrá-lo e os policiais que estavam dentro do fórum saíram para apaziguar a situação.
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Pegando carona, uma manifestação contra o sistema bancário. |
A região no entorno do Fórum Santana é erma, quase sem residências e poucos estabelecimentos comerciais. Criado há cerca de cinco anos, raras vezes o Fórum teve a sua tranqüilidade alterada por tamanha presença de pessoas e veículos, como os carros-links de emissoras como Record, Globo, GloboNews, Rede TV, TV Rit, Band, CBN e Rádio Eldorado, entre outras.
Determinada a sentença, o fórum retorna à sua rotina de ações cíveis, criminais e de família, com milhares de processos que só despertam emoções nas próprias partes envolvidas.
Minudências
@ O Fórum Santana se localizava antes em um prédio na r. Darzan, esquina com a av. Cruzeiro do Sul, bem no centro de Santana. Porém o prédio ficou pequeno para tantos processos, inclusive com risco para os funcionários e público, e o Tribunal de Justiça providenciou um prédio mais adequado.
@ O novo Fórum é bem distribuído, com corredores largos e boa iluminação. Porém à época da mudança (há cerca de cinco anos) houve muita reclamação, devido ao difícil acesso, com poucas linhas de ônibus e distância do metrô.
@ O crime que gerou o julgamento aconteceu no distrito de Vila Guilherme, Zona Norte, em 29/03/2008. O pai e a madrasta da criança Isabela foram acusados de atirá-la pela janela do 6º andar do prédio em que moravam.
@ O júri, composto por sete pessoas, votou pela culpa dos réus. O juiz determinou a seguinte pena: 31 anos, um mês e 10 dias para o rapaz, e 26 anos e 8 meses para a esposa.




