MEMÓRIAS VIVAS DA CASA VERDE

Casa Verde e Parque Peruche - Agosto/2009

As pessoas e os edifícios são memórias vivas de um bairro. Junto a imóveis antigos sempre surge quem conte uma história e lembre fatos marcantes de uma região. Assim aconteceu na r. Bernardino Fanganiello. Três pequenas casas em arte-decô chamaram a atenção da reportagem. Enquanto eram fotografadas, passou por ali o sr. João Branco de Oliveira Filho, com 86 anos. Desses, 83 vividos na Casa Verde. E quantas lembranças.

Prédio na r. Dr. César Castiglione.
Casa na r. Ouro Grosso, Pq. Peruche.

O sr. João contou que onde hoje está o supermercado Pão de Açúcar, na r. Bernardino Fanganiello, havia um casarão antigo em que funcionava uma escola de freiras, onde ele estudou no primário, na década de 1930. Só depois é que a família Rudge, que loteou o bairro, adquiriu e fez uso do imóvel. A lembrança mais importante foi a da antiga casa, possivelmente a "casa verde" das "meninas da Casa Verde", que havia na atual r. Horácio Vergueiro Rudge, na parte baixa, já próxima da beira do rio Tietê. O sr. João afirmou ter conhecido esse imóvel histórico.

Devido à proximidade do aeroporto do Campo de Marte, a Casa Verde não tinha prédios altos, que só agora surgem na região. Por isso muitas casas antigas sobreviveram. (Clique AQUI para ver um caso.) Chegamos com o sr. João à r. Atílio Piffer, onde encontramos Ivo Ronci Jr, de 54 anos. Ele é "novo", mas seus avós vieram para a Casa Verde ainda na década de 1930.

João Branco e Ivo Ronci, memórias da Casa Verde.
Rádio Janir.

Ivo recordou que onde hoje está o estacionamento do Bradesco, na r. Jaguaretê, funcionava o Colégio Imaculada Conceição, onde ele fez o primário. "As professoras vinham do convento onde hoje está o colégio N. Sra. das Dores, na r. Relíquia", recordou. Para cursar o antigo ginásio, os alunos iam para o Grupo Escolar Benedito Tolosa. Hoje essa escola está na r. Marino Félix, mas naquela época ficava em um casarão na r. Jaguaretê, onde hoje funciona um posto de saúde.

Na década de 1940, quando o abastecimento de água era precário, Ivo recordou que uma das poucas casas que tinha posto artesiano era a sua, na r. João Rudge. "Eu passava a tarde "baldeando" água para o pessoal fazia fila na frente de casa." Sua sogra possui uma casa em arte-decô na r. Atílio Piffer, não tem bem conservada quanto a vizinha: "tivemos que reformar um pouco, pensando na segurança dela, que morava sozinha ali", afirmou Ivo. Mesmo assim, dentro de casa, muitas "relíquias", como o rádio Janir (que é uma sigla para "José Augusto do Nascimento- Indústria de Rádio"), produzido na Vila Maria, e que funciona muito bem.

Conjunto de casas na r. Dr. César Castiglione, centro da Casa Verde.


Minudências:

@ As "meninas da Casa Verde" eram as 7 irmãs da família Arouche Rendon (a mesma do Largo do Arouche), que no final do século 18 vinham passar férias na então distante Casa Verde. Elas se chamavam Caitana, Ana, Pulquéria, Maria Rosa, Gertrudes, Joaquina e Rudesinda

@ Casa Verde Baixa, Casa Verde Média e Casa Verde Alta. Nenhum outro bairro em São Paulo é dividido em três andares. Em cada andar, uma igreja como referência: São João Evangelista, N. Sra. das Dores, e Santíssima Trindade, respectivamente.

@ Ivo Ronci Jr. foi colega de sala no Benedito Tolosa do cartunista Angeli, que nasceu e cresceu na Casa Verde.

@ O subprefeito da região, Walter Abrahão Filho, nasceu e mora até hoje na Casa Verde.