ADHEMAR – NOSSO OURO NEGRO
Bicampeão Olímpico 1952 – 1956 - Agosto/2008
Memória brasileira: nestes dias de Olimpíadas de Pequim, pouco se falou sobre um dos maiores medalhistas olímpicos da história esportiva do Brasil. Adhemar Ferreira da Silva, único atleta brasileiro a ganhar duas medalhas de ouro seguidas em Olimpíadas (Helsinque – 1952 e Melbourne – 1956), nasceu, viveu e morreu no bairro da Casa Verde. Além de atleta excepcional, era dono de uma cultura invejável, falava mais de 5 idiomas, tocava violão, cantava, foi adido cultural brasileiro no exterior, jornalista e até ator (atuou no filme “Orfeu da Conceição” - Oscar de melhor filme estrangeiro e Palma de Ouro em Cannes).
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Adhemar em seu escritório na UniSant'Anna, em 1997. |
Seu neto Diego na casa do Pq. Peruche. |
Filho do ferroviário Antônio da Silva e de dona Augusta, Adhemar nasceu em 1927 na r. Casa Verde nº 25. Em entrevista para o livro “São Paulo tem a Casa Verde”, em 1997, o grande medalhista lembrou do bairro em sua infância: “Na ocasião das enchentes, o bonde ficava de um lado da ponte, e nós tínhamos que atravessar numa barca, entrando no bonde do outro lado. Quando a água baixava, chegava a aparecer cobras d´água no lamaçal que se formava”. E completou: “Eram os momentos desagradáveis da agradabilíssima Casa Verde”. Logo a família mudou para a rua Ouro Grosso, esquina com a r. Francisco Diogo no Parque Peruche, oportunidade para ele falar sobre a grande presença de negros na região: “Eram na sua grande maioria ferroviários, cujas famílias moravam na Bela Vista ou na Barra Funda. E com o advento do loteamento do Parque Peruche, mudaram para cá”.
Adhemar quando adolescente queria ser cantor, ou jogador de futebol, porém “achei a palavra 'atleta' bonita, e decidi passar para o atletismo, deixando o futebol”. Os ótimos resultados logo começaram a surgir, e a parceria com o técnico alemão Dietrich Gerner fez de Adhemar um campeão. Aliás, bicampeão olímpico, tricampeão panamericano, pentacampeão sul-americano, hexacampeão brasileiro de salto triplo, categoria em que foi rei e deixou uma dinastia com Nelson Prudêncio, João do Pulo e Jadel Gregório.
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Um salto campeão de Adhemar Ferreira da Silva |
Ao lado da casa de seus pais, Adhemar construiu a sua, na r. Francisco Diogo. Nesses dias de Olimpíadas de Pequim o ZNnaLinha foi visitar a família, relembrar o precursor das grandes marcas individuais de Aurélio Miguel, Lars Grael, Robert Scheid, Joaquim Cruz, Cesar Cielo. Lá conversamos com seu neto Diego Ferreira da Silva Menasse, com seus 24 anos sempre vividos no Peruche. Ele faz faculdade de Rádio e TV e está produzindo um documentário sobre o avô. Viajou o Brasil pesquisando, e agora busca apoio para fazer uma parte do trabalho em Helsinque, onde disse que seu avô Adhemar é “tão conhecido quanto Pelé”. Lá ele é chamado de “daSilva”, e era muito querido porque cativou os finlandeses, inclusive por aprender a língua e cantar músicas do folclore local.
Porém o grande atleta tinha um defeito: fumava. E esse hábito cobrou seu preço. Foi nos pulmões o mal que vitimou Adhemar Ferreira da Silva, aos 74 anos, em 2001. Ele então coordenava a departamento de esportes da Universidade Sant´Anna. Como está no título do belíssimo livro sobre o atleta, de Tânia Maria Siviero, ele foi o “ouro negro brasileiro”, um “herói por nós” (editora DBA, 2000). Adhemar Ferreira da Silva “lavou a alma” do conhecido orgulho esportivo brasileiro, após o fracasso da Copa de 1950 e antes da recuperação do ego verde-amarelo com Pelé e companhia, em 1958. Um nome, por que não dizer, casaverdense, para ser lembrado sempre.


