UM APELO DOS MORADORES

Jardim Peri - Maio/08

Os moradores das ruas Rodolfo Mayer, Jornalista Otávio Ribeiro Pena Branca e do conjunto do CDHU, localizadas no Jardim Peri, há tempos estão sofrendo com enchentes, forte cheiro de esgoto, muita água parada e uma desvalorização do local.

Segundo os moradores, um dos grandes problemas por eles enfrentados é a existência de uma favela localizada no fim dessas ruas e uma valeta que foi aberta pela prefeitura para escoar a água durante as chuvas.

Fotos do local

No dia 21/04/2008 durante a tarde, fui até o local para ver e tirar algumas fotos, me deparei com moradores da favela que começaram a falar sobre o que estava acontecendo de fato no local. As moradoras as sras. Daniele e a Sandra, ambas residentes na favela, informam que há 15 anos eles querem sair do local, mas nada foi feito para que houvesse esta remoção. Informam também que hoje há 200 famílias.

O principal problema que engloba as duas ruas, a favela e o CDHU, é que no dia 16/02/08 a prefeitura de São Paulo, com o intuito de melhorar a vazão das águas das ruas citadas durante as chuvas, abriu uma valeta com 1 metro de profundidade do trecho que abrange o final da rua Jornalista Otávio (Ribeiro Pena Branca) cortando a favela até o córrego Guaraú, fazendo um grande rasgo no asfalto pronto da avenida de Fundo de Vale.

A SABESP tem projeto e verba para reurbanizar o local, e segundo a planta original da própria prefeitura ali seria uma praça, sendo que a SABESP quer fazer a canalização do afluente do córrego Guaraú até o Guaraú porém aguarda a remoção das famílias. Para ninguém falar que o que eu estou falando é mentira e nem aumentando a situação, veja a seguir o que foi relatado pelos próprios moradores do local, moradores esses que são: Sandra Regina da Silva, Taís Félix, Daniela Silva Floriano, Benedito Silva dos Santos, Leidléia Lourivaldo, Ivaneide Meneses e Maria Aparecida dos Santos: “Essa valeta foi aberta no dia 16/02, para que não houvesse mais enchentes nessas duas ruas, mas não resolveu nada, chove e enche do mesmo jeito. Esse lixão está aí há mais de 2 meses, ninguém dá satisfação, não fala e não fazem nada para este caso, havia uma lixeira ali (no final da rua próximo a favela) e a própria prefeitura retirou. Tinham que tirar os barracos, aqui enche de água, tem ratos grandes, podres e aqui tem muita criança. Meu filho de 2 meses está com o peito cheio e com o nariz com problema, e veio há pouco tempo do hospital, tudo isso por causa dessa fossa (ela se refere a valeta), mau cheiro e friagem.”- Diz a Sra.Daniela.

A moradora Sandra Regina informou também que o marido dela ficou internado no hospital de Vila Nova Cachoeirinha e depois no hospital do Mandaqui devido à leptospirose, por causa do lixão e dessa valeta. “TEMOS QUE MORAR COM RATOS, BARATAS, ESCORPIÕES E TODOS OS INSETOS. A GENTE ESTÁ AQUI JOGADO, LARGADO!”

Isso foi o que os próprios moradores relataram, agora eu pergunto a todos, pessoas humildes como as que eu pude ver no local, pessoas que não têm condições de morar em um lugar digno e os moradores das ruas Rodolfo Mayer, Jornalista Otávio Ribeiro Pena Branca e do CDHU, que pagam seus impostos, compram eletrodomésticos novos num dia e perdem no outro, por causa das enchentes, enchentes essas que após a construção do piscinão haviam acabado, mas devido às moradias irregulares, ficaram constantes.” Inclusive antes de ir embora do local, resolvi fazer uma última pergunta: Vocês querem mesmo sair daqui? Sabe qual foi a resposta? ”TUDO O QUE QUEREMOS, É SAIR DAQUI”

Portando olhem para eles, olhem para todos, mas principalmente olhem para o bairro. Valorizem o Jardim Peri. Não é um apelo meu mas sim de todos os moradores envolvidos nessa bola de neve.

Texto e fotos enviados pelo internauta Alfredo Luiz Soares Bazzolli