LUGAR DE MULHER É... NA BRASILÂNDIA
Espaço Criança Esperança - 25/Mar/2008
A proposta é todo mês realizar um evento e dialogar com a comunidade sobre temas da atualidade. Em Março aconteceu o Dia da Mulher, e o Espaço Criança Esperança – CEE Oswaldo Brandão realizou o 1º DeBatePapo de 2008, abordando o papel da mulher nos espaços públicos e na comunidade.
O espaço Criança Esperança é um projeto de requalificação de centro comunitários em áreas periféricas. Após atuar por 4 anos no Jardim Ângela, Zona Sul, a ação passou a acontecer na Brasilândia, desde Novembro de 2005. Ocupa o espaço do Centro Educacional e Esportivo Oswaldo Brandão, em parceria com a prefeitura. Ele atende 360 crianças, adolescentes e jovens de 8 a 24 anos e oferece atividades nas áreas de comunicação e expressão, educação ambiental, orientação educacional, esporte, capoeira, dança, multimídia, artes, graffiti e intervenção comunitária no período alternado à escola. Tem parceria com a Rede Globo e com a UNESCO, e gestão pedagógica da ONG Sou da Paz.
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Rosângela Talib, Mabel Assis e público presente. |
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Para este 1º DeBatePapo foram convidadas duas mulheres que lutam pela valorização e pelo reconhecimento da mulher na sociedade. A seguir uma síntese de suas palavras, que foram seguidas de um debate com o público presente.
ROSÂNGELA TALIB – Psicóloga, com mestrado em Ciências da Religião
Ela atua na ONG Católicas, que está no Brasil desde 2001, e se trata de um grupo de mulheres das pastorais sociais da igreja, fundado com o intuito de discutir os direitos da sexualidade e reprodutivos. Rosângela afirmou que historicamente é muito mais difícil para as mulheres assumirem a sexualidade. Se para a mulher a sexualidade é vigiada, para o homem ela é incentivada. E no pensamento comum a mulher é a principal (e normalmente a única) responsável pela contracepção. Desde 1983 tem surgido avanços, como o PAISM – Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, que é um projeto avançado, porém não implantado. Em 1996 surgiu a lei do Planejamento Familiar e em 1999, em função de uma legislação nunca completada, surgiram normas técnicas para poder ser exercido o direito ao aborto pelas mulheres, nos dois casos em que ele é legal: devido a violência sexual, ou em caso de grave risco oferecido à gestante. Mesmo assim, por desinformação ou temor de mais agressões, muitas mulheres não procuram esse recurso, e recorrem a abortos clandestinos, que já são a 4ª causa de morte materna (na cidade de Salvador, por exemplo, é a 1ª causa). Hoje a mulher não precisa apresentar um Boletim de Ocorrência para requerer um aborto legal. Mas deve passar por uma equipe multidisciplinar, para análise. Em São Paulo o principal hospital a receber esses casos é o Pérola Byngton, na Bela Vista. Rosângela afirmou que o acesso à informação é o grande desafio a ser enfrentado.
MABEL ASSIS – Assistente Social, com mestrado em Antropologia Social.
Ela cresceu na Brasilândia, por isso iniciou sua apresentação com um histórico da região, que teve grandes fazendas de escravos. Após a abolição muitas famílias permaneceram, assim como outras vieram, empurradas pelo preço dos terrenos centrais para as fronteiras urbanas da cidade, para a periferia. Ela lembrou que até os anos 1960, 1970, a relação entre vizinhos era mais solidária. Havia um acordo tácito entre as mulheres para o cuidado das crianças. Hoje não é mais assim, e com a mulher precisando sair para complementar a renda da família, sua saúde ficou colocada em último plano, atrás da necessidade de sobrevivência, da tripla jornada de trabalho. O resultado é que as mulheres estão morrendo mais cedo, com doenças vindas do estresse. Ela acha que o lugar da mulher é... em todo lugar. Já o lugar do homem, precisa ser encontrado, pois ele está deslocado, com a atual posição mais ativa da mulher.
O Espaço Criança Esperança quer contribuir para a redução da violência e a reversão da estigmatização social de bairros periféricos, atuando como um centro de convivência comunitária, e trabalhando junto aos jovens. O ZNnaLinha acompanhará os próximos DeBatePapo.
Rua Michihisa Murata, 120 - Brasilândia

