FAZER CINEMA: UMA ARTE ACESSÍVEL A TODOS

Jardim Vista Alegre, Brasilândia - 26/Junho/2010

Poesia, Teatro, Circo... Muitos projetos levam cultura aos pontos mais distantes da periferia. Mesmo o Cinema, uma arte considerada elitista, por sua técnica e custos elevados, está ao alcance dos interessados, como provou a oficina itinerante do projeto Tela Brasil, que esteve na Zona Norte em Junho.

O orientador Edu Abad conversa com os alunos no encerramento do curso.


Para conhecer todo o processo de confecção de um filme, o que inclui roteiro, direção, produção, fotografia, arte, som e montagem, durante 12 dias sem intervalos, 22 pessoas participaram do curso oferecido pela Oficina de Itinerante de Vídeo Tela Brasil, nas dependências da subprefeitura Freguesia/ Brasilândia. Nos dias úteis as aulas aconteceram à noite. E durante dois sábados e Domingos, para completar a carga horário do curso, os alunos tiveram aula das 9 às 18h.

Durante o curso os alunos foram divididos em três grupos, para encarar um sério desafio: realizar em poucos dias um curta-metragem, com os conhecimentos adquiridos no curso. Os três grupos conseguiram concluir os curtas, que foram exibidos para amigos, familiares e interessados, no espaço Tela Brasil montado em uma região de alta vulnerabilidade da Brasilândia, no Jardim Vista Alegre.

Membros de um dos grupos que fizeram curtas-metragens.


Antes da exibição, o orientador do curso Edu Abad fez uma avaliação conjunta com todos os alunos, trocando idéias e estimulando os próximos passos dos aprendizes. Em seguida aconteceu uma palestra sobre cinema com o crítico Cássio Starling, que teceu um rápido panorama da história do cinema e do trabalho de um crítico de cinema. Starling fez questão de valorizar a importância de todos os profissionais envolvidos na produção de um filme, que muitas vezes são esquecidos, por trás da imagem endeusada de um diretor ou de um grande ator.

E então, veio o grande momento, o da exibição dos três curtas: "Sociedade Máquina", em que os carros fazem um movimento para dominar o mundo; "Surto", onde foi retratada a opressão causada pelo serviço burocrático repetitivo; e "Invisível", mostrando como uma pessoa excluída da sociedade é considerada invisível por esta.

Sala itinerante do Cine Tela Brasil


Ao final todos os alunos receberam um certificado, e puderam expressar sua opinião. Um mérito desse projeto é aproximar pessoas simples, que gostam de cinema, e que talvez nunca pudessem fazer um curso com essa qualidade. Os alunos venceram diversas barreiras para realizar um filme, e ainda que muitos não venham a trabalhar com a "sétima arte", certamente será uma experiência inesquecível para eles.

Minudências

@ A tenda do projeto Cine Tela Brasil esteve montada na Jardim Vista Alegre durante três dias. Os moradores da região puderam assistir diversos filmes de graça, em uma sala com ar-condicionado.

@ Esse projeto nasceu em 1996, quando seus dois idealizadores, Laís Bodansky e Luis Bolognesi, levavam um projetor em um carro particular, para exibir filmes na periferia. O projeto cresceu, e além de continuar a levar filmes a locais isolados de todo o país, realiza essas oficinas de formação.

@ Clique AQUI para ver a cobertura da presença do Tela Brasil em Taipas, em 2008.

@ Foi interessante ver nos três curtas exibidos imagens da Zona Norte, onde as imagens foram filmadas.

@ Um exemplo de dedicação foi o da aluna Eliana Toscano. Moradora de Interlagos, ela atravessou a cidade durante os 12 dias, para fazer o curso. Ela trouxe suas duas filhas pequenas, Júlia e Letícia, para assistir o evento de encerramento.

@ Mais informações sobre novas oficinas, acesse www.telabr.com.br



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Veronica Machado
Materia muito boa, sou educadora social e vou utilizar as oficinas virtuais na integra e vou tentar trazer para a nossa comunidade as oficinas itinerantes. Agradeço. Veronica
Raphael Alfandary
Realmente, a experiência foi fantástica... E quem sabe eu embarque na mesma ideia da Eliana, a crítica de cinema!
Eliana Toscano
Matéria rica e estimulante. Participar da Oficina Tela Brasil foi uma experência muito rica e significativa. Sou professora e trabalho com a comunidad carente da minha região. Quero passar para os meus alunos o que aprendi e que nada é inatingível ou impossível de ser feito. Agora estou interessada em participar de uma outra oficina: a de crítica de cinema.
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